Saúde: Lesões mais frequentes nesta altura do ano_LusoJornal·Saúde·23 Janeiro, 2026 Ano novo, vida nova! Começar o ano com um estilo de vida mais ativo é um dos objetivos mais comuns nas resoluções de Ano Novo. Definem-se metas relacionadas com a saúde e atividade física, incluindo a intenção de praticar mais exercício físico e adotar hábitos mais saudáveis. Para muitas pessoas este é o estímulo necessário para começar ou reiniciar a prática de exercício físico de forma mais regular. Para outros, a intenção é a de aumentar a intensidade e a frequência dos treinos, talvez com a expectativa de um “corpo perfeito para o verão”. Infelizmente, esta impulsividade pode estar associada a um aumento das lesões musculoesqueléticas nesta época do ano. Assim, as lesões observadas nesta fase do ano resultam frequentemente da conjugação de dois fatores: a impulsividade no início ou aumento da prática de exercício físico, sem uma preparação adequada, e as condições ambientais, como o frio, que aumentam a vulnerabilidade do sistema musculoesquelético. Vamos então analisar as lesões mais frequentes e os motivos pelas quais acontecem: . A. Lesões musculares – Distensões e ruturas musculares: temperaturas mais baixas tornam os músculos menos flexíveis e mais propensos a lesões durante treinos intensos ou esforço súbito. – Cãibras e contraturas: associadas à menor elasticidade e circulação mais lenta. . Porquê no inverno? O frio reduz a elasticidade muscular e articular, aumentando a vulnerabilidade a lesões se o aquecimento for inadequado. – Lesões de sobrecarga: o esforço acrescido em músculos pouco habituados ao exercício pode resultar em lesões musculares, frequentemente associadas ao início ou reinício da prática de atividade física com intensidades ou frequências elevadas. Mesmo em indivíduos já treinados, o aumento súbito de carga, intensidade ou frequência pode levar a este tipo de lesões, que podem posteriormente conduzir ao sedentarismo por incapacidade de manter uma rotina de treino regular. . B. Entorses e lesões articulares – Entorses de tornozelo ou joelho são comuns em superfícies escorregadias (chuva, gelo artificial ou relvados húmidos). – Artroses e dores articulares pré-existentes também tendem a piorar no frio, levando a um aumento de consultas mesmo sem trauma evidente. . C. Tendinites e sobrecargas – Tendinites em ombros, cotovelos (ex.: epicondilite), joelhos (patela) ou tendão de Aquiles são muitas vezes mais frequentes no inverno, especialmente quando se treina em espaços interiores ou sem aquecimento adequado. . D. Lesões associadas a desportos de inverno e superfícies frias Embora em Portugal a prática de desportos de inverno não seja massiva, existe contacto regular com modalidades realizadas em contexto de neve natural ou artificial, como o esqui e o snowboard, bem como uma crescente oferta de pistas de gelo artificiais, associadas sobretudo à patinagem no gelo e a eventos recreativos sazonais. Estas modalidades, muitas vezes praticadas de forma ocasional e sem preparação técnica ou física específica, estão associadas a um risco acrescido de lesão, sobretudo devido à instabilidade das superfícies, às quedas e às elevadas exigências articulares e neuromusculares. . Lesões típicas de desportos de inverno – Lesões no joelho (especialmente roturas de ligamentos como o LCA e meniscos) – muito frequentes em quedas. – Lesões nos membros superiores (pulso, cotovelo, ombro) por tentativa de amortecer quedas no gelo. – Concussões leves a moderadas em quedas em superfícies geladas/escorregadias. – Entorses de tornozelo e fraturas de extremidades ao patinar ou esquiar sem técnica adequada. . E. Lesões em desportos populares em Portugal Modalidades como padel e futebol, observam-se padrões frequentes de lesão: – Lesões tendinosas e musculares são as mais comuns. – Regiões mais afetadas: cotovelos, tornozelos, joelhos e ombros (padel). – No futebol, são comuns as lesões no quadríceps, isquiotibiais e entorses no tornozelo, que ocorrem com grande frequência ao longo da temporada, incluindo janeiro. . A maior incidência de lesões nesta fase do ano evidencia a necessidade de encarar o exercício físico como um processo planeado, progressivo e sustentado, e não como uma resposta imediata a resoluções de curto prazo. A adoção de um estilo de vida ativo deve ser enquadrada numa abordagem integrada, baseada na avaliação individual, na definição de programas ajustados e no acompanhamento contínuo, permitindo reduzir o risco de lesão e potenciar os benefícios do exercício na promoção da saúde, do bem-estar, da funcionalidade e da autonomia, com impacto positivo na qualidade de vida ao longo do tempo. . Dra. Andrea Salgueiro Medicina desportiva, medicina estética, regenerativa e anti-envelhecimento Clínicas Leite em Lisboa e Coimbra . Professora Luisa Mesquita Fisiologista do exercício, ciências do desporto – atividade física e saúde