Do ponto de vista psicológico, não existe um número “ideal” universal, mas a evidência sugere que menos é frequentemente mais.
O excesso de presentes pode gerar sobre estimulação, dificultando a capacidade de escolha, de foco e de envolvimento profundo com cada brinquedo. Estudos sobre atenção e autorregulação mostram que muitas opções reduzem a qualidade do brincar.
Receber demasiados presentes pode associar o Natal ao consumo, em vez de ao vínculo, à partilha e à experiência emocional.
As crianças que recebem tudo rapidamente tendem a perder interesse mais depressa, o que diminui a capacidade de esperar, imaginar e valorizar.
Mais importante do que a quantidade é que: os presentes sejam adequados à idade; o significado emocional e o tempo que o adulto está disponível para brincar com a criança.
Crianças recordam mais a qualidade da ligação emocional do que o número de embrulhos.
As crianças e o Natal. As tarefas que podem realizar
Do ponto de vista psicológico, envolver as crianças nas tarefas de Natal é altamente benéfico para o seu desenvolvimento emocional e social. Promove sentido de pertença e responsabilidade; reforça a autoestima e a perceção de competência; desenvolve empatia, cooperação e tolerância à frustração e ajuda a criança a perceber que o Natal não é apenas receber, mas também participar e contribuir.
As tarefas devem ser adequadas à idade, apresentadas como participação e não como obrigação punitiva.
Crianças pequenas (2-5 anos):
– Ajudar a decorar a árvore
– Colocar guardanapos na mesa
– Ajudar a embrulhar presentes simples
– Escolher músicas de Natal
Crianças em idade escolar (6-10 anos):
– Ajudar a preparar a mesa
– Fazer cartões ou desenhos para oferecer
– Ajudar em receitas simples
– Organizar brinquedos para doar
Pré-adolescentes e adolescentes:
– Ajudar no planeamento das refeições
– Cuidar dos irmãos mais novos
– Ajudar na organização da casa
– Participar em decisões familiares (menus, atividades, horários)
O Natal pode ser uma oportunidade privilegiada para ensinar às crianças a regulação emocional, gratidão, cooperação e vínculo familiar. Mais do que presentes ou tarefas, o que mais protege a saúde emocional da criança é sentir-se incluída e ligada aos adultos de referência.
.
Dra. Isa Silvestre
Psicóloga clínica
@isasilvestre.psicologa





