Socialistas da Europa insistem na criação de uma Federação Europeia do PS


Uma moção sectorial apresentada por mais de 200 militantes socialistas residentes em vários países europeus, defendendo a criação de uma Federação da Europa do PS, foi levada ao XXV Congresso do Partido Socialista, que decorreu em Viseu entre 27 e 29 de março.

O documento, subscrito por militantes de 16 secções e núcleos de sete países, resulta de “dezenas de videoconferências” e pretende responder às “circunstâncias estruturais, geográficas, organizativas, sociais e políticas” específicas das Comunidades portuguesas na Europa. O primeiro subscritor doi Manuel Campos, da Alemanha e foi apresentada no Congresso pelo antigo Presidente do CCP/Europa, Pedro Rupio.

Os proponentes afirmam que “os militantes socialistas da Europa solicitam ao XXV Congresso do PS (…) que aprove a instalação de uma Federação da Europa do PS” e pedem que a Comissão Política do partido seja incumbida da sua “rápida implementação”.

Pedro Rupio disse ao LusoJornal que a moção “será objeto de debate na próxima Comissão Nacional do Partido Socialista, para a qual fui eleito no Congresso”.

A moção recorda que a emigração faz parte da identidade histórica do PS, fundado em 1973 na Alemanha, e sublinha que muitos dos seus fundadores eram emigrantes, emigrados ou refugiados políticos. O texto lembra ainda que, durante vários anos, existiram quatro federações socialistas na diáspora – Alemanha, França, Suíça e Benelux – entretanto dissolvidas “à revelia das Secções”, deixando “danos causados”.

Os subscritores defendem que, perante os desafios políticos atuais, as estruturas do PS na Europa precisam de um “reforço federativo” capaz de coordenar temas, mobilizar militantes e articular posições com Lisboa. Argumentam que não é possível aplicar no exterior os mesmos modelos organizativos usados em Portugal, sobretudo ao nível local, e recorrem a uma metáfora musical: “Para que exista no exterior uma organização eficiente, temos que harmonizar na diversidade. Tal como uma canção, que não consta de uma nota só, mas que conquista pela sua harmonização, de várias notas”.

A moção compara a realidade das Secções socialistas na Europa com a estrutura da Federação da Área Urbana de Lisboa, onde coexistem várias Secções de freguesia e de área. Os proponentes questionam por que motivo cidades como Hamburgo, Estugarda, Paris ou Londres, “geograficamente bem maiores do que Lisboa”, têm apenas uma Secção. E perguntam igualmente “o que impede a implementação de uma Federação na Europa”, caso não seja possível criar federações nacionais em cada país.

O texto cita também o Presidente da República, António José Seguro, que no seu Manifesto de Prioridades para as Comunidades afirmou que “Portugal é maior que o seu território” e que a diáspora constitui “um ativo estratégico para o país”. Para os subscritores, esta visão deve ter tradução política dentro do PS.

A moção alerta ainda para a necessidade de o partido reforçar a sua presença e influência junto das Comunidades portuguesas no estrangeiro, tanto através da militância local como do diálogo com partidos irmãos da Internacional Socialista. “Ou contamos todos, ou não poderão contar connosco”, lê‑se no documento. Os autores defendem uma maior escuta ativa, programas participativos e a recolha sistemática de contributos dos militantes da diáspora, de forma a integrar as suas propostas na definição das políticas do partido.

O texto aborda também a participação eleitoral das Comunidades portuguesas no estrangeiro e a necessidade de recuperar a confiança dos eleitores emigrados. Os proponentes consideram urgente “simplificar processos, facilitar estruturas e garantir que os seus interesses sejam representados”, tanto no partido como na Assembleia da República.

A moção cita declarações recentes do Secretário‑geral do PS, José Luís Carneiro, sobre o crescimento do populismo quando a governação falha em responder aos problemas concretos dos cidadãos. Os subscritores afirmam que esse fenómeno se agrava quando os partidos “não ouvem os seus filiados” e quando as aspirações das Comunidades não são levadas a sério. Recordam ainda que, apesar da vitória de António José Seguro nas eleições presidenciais na Europa, os níveis de participação foram “baixíssimos” e que o PS não pode correr o risco de ficar sem representação parlamentar das Comunidades nas próximas legislativas.

A moção termina com um apelo: “Esta é a hora de ouvir e de dar voz e poder às Comunidades. Todos contamos”.

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