A Galeria do Espírito Santo, em Moura, vai acolher entre 5 e 30 de setembro a exposição “Diário de uma estrangeira numa terra que também foi sua”, da antropóloga e fotógrafa francesa Virginie Laffon. A mostra reúne 60 imagens que percorrem meio século de memórias, encontros e vivências da autora na vila de Amareleja, no concelho de Moura, território que marcou profundamente o seu percurso pessoal e académico.
Virginie Laffon chegou ao Alentejo ainda jovem, num período em que a região atravessava transformações sociais e económicas profundas. A sua formação em antropologia levou-a a estudar práticas comunitárias, modos de vida rurais e formas de sociabilidade que caracterizam o Baixo Alentejo. Ao longo dos anos, a investigadora regressou repetidamente à Amareleja, criando laços duradouros com habitantes, famílias e instituições locais. A exposição agora apresentada é, por isso, mais do que um conjunto de fotografias: é um testemunho íntimo de uma relação construída entre a observação científica e o afeto.
As imagens revelam um Alentejo visto por alguém que, sendo estrangeira, encontrou ali uma segunda casa. Há retratos de rostos marcados pelo tempo, cenas de trabalho agrícola, festas populares, rituais comunitários, paisagens de planura e silêncio, e pequenos detalhes do quotidiano que, pela lente da autora, ganham uma dimensão poética. A câmara de Virginie Laffon acompanha mudanças geracionais, transformações na economia local, a evolução da vila e a persistência de tradições que resistem ao passar das décadas.
A escolha da Galeria do Espírito Santo para acolher esta mostra reforça o diálogo entre memória, identidade e território. O espaço, situado no centro histórico de Moura, tem vindo a afirmar-se como um polo de dinamização cultural, recebendo exposições que cruzam artes visuais, património e reflexão contemporânea. A presença de uma autora francesa com uma ligação tão profunda ao concelho sublinha também a dimensão internacional que Moura tem procurado integrar na sua programação cultural.
Para a Câmara Municipal de Moura, que organiza a exposição, este projeto representa uma oportunidade de valorizar a relação entre a comunidade local e quem, vindo de fora, escolheu o Alentejo como lugar de estudo, de vida e de pertença. O “diário” de Virginie Laffon é, assim, simultaneamente um registo documental e uma declaração de amor a uma terra que a acolheu e que ela aprendeu a compreender através da fotografia e da antropologia.
A exposição “Diário de uma estrangeira numa terra que também foi sua” poderá ser visitada gratuitamente até 30 de setembro, oferecendo ao público uma viagem sensível pela história recente de Amareleja e pelo olhar de uma autora que transformou a observação científica numa forma de criação artística.







