O “rosto Ozempic” refere-se às alterações na face que acontecem com a perda de peso acentuada e rápida. Não é um efeito secundário do medicamento em si, mas do processo rápido da perda de peso, que tem como consequência a diminuição da camada de gordura subcutânea da face, levando à perda de volume. Esta alteração pode criar algum desequilíbrio no rosto e, na verdade, alguns recorrem à rinoplastia para que lhes seja devolvida a harmonia perdida, mas também a técnicas não invasivas, como a radiofrequência, preenchimentos, ou bioestimuladores, obtendo assim um rejuvenescimento integrado.
Quem nos procura por razões funcionais tem motivação intrínseca, ou seja, tem patologia nasal e quer corrigir as suas dificuldades respiratórias. É muito frequente, nestes casos, proceder-se à rinoseptoplastia, combinando as vertentes funcional e estética, mas o foco é melhorar a função respiratória, importando a experiência do cirurgião, mais do que a busca por possíveis modelos. A rinoplastia por objetivos estéticos é cada vez mais procurada, já que, hoje, há cada vez menos tabus em relação a este tipo de procedimento. A esta tendência não será alheia a possibilidade de acesso a visionamento de resultados e informação sobre a cirurgia.
As orientações das organizações médicas ao nível internacional apontam para uma idade mínima de 15 anos para uma rinoplastia com fins estéticos, tendo em conta a otimização dos cuidados aos pacientes e a evitação de traumas desnecessários. Não aconselharia os pais de uma adolescente a permitir a realização de uma rinoplastia para “copiar” o rosto de alguém famoso.
Há, contudo, casos extremos, que levam a bullying físico ou ao cyberbullying, que podem justificar uma intervenção mais precoce. Ainda assim, será necessário desmontar a ideia de uma imagem idealizada e artificial, propondo uma intervenção adequada às características da paciente.
.
Dr. Filipe Magalhães Ramos
Otorrinolaringologista
Diretor das clínicas de estética FMR






