Senatoriais francesas: perto de 4.000 “Grands électeurs” de origem portuguesa chamados às urnas


No próximo dia 27 de setembro, a França realiza eleições senatoriais para renovar 178 dos 348 lugares do Senado. Trata-se de mais uma importante etapa eleitoral, apenas seis meses depois das eleições municipais de março, nas quais a participação dos Franceses de origem portuguesa atingiu uma dimensão inédita.

Segundo o levantamento realizado pela Civica, a Associação dos Autarcas Franceses de Origem Portuguesa, 41.358 candidatos de origem portuguesa participaram nas eleições municipais de março de 2026, em todo o território francês. Um número particularmente significativo quando comparado com as eleições municipais de 2020, onde cerca de 34.000 candidatos tinham sido identificados. Em seis anos, são, portanto, vários milhares de novas candidaturas, confirmando uma progressão da participação dos Franceses de origem portuguesa na vida pública e política local.

Esta dinâmica tem agora uma nova expressão nas eleições senatoriais.

Perto de 4.000 “Grands électeurs” de origem portuguesa

Ao contrário das eleições para o Presidente da República, para os Deputados ou nas eleições autárquicas, os Senadores franceses não são eleitos por sufrágio universal direto.

O Senado é eleito por sufrágio indireto. O colégio eleitoral é constituído pelos Deputados e Senadores, pelos Conselheiros regionais e departamentais e, sobretudo, por representantes dos Conselhos municipais. Estes últimos representam mais de 95% do colégio eleitoral.

“É precisamente aqui que a presença dos eleitos de origem portuguesa ganha particular significado” explica ao LusoJornal Paulo Marques, presidente da associação Civica. “A partir do recenseamento realizado pela Civica e do trabalho de identificação dos autarcas nos departamentos abrangidos pelo escrutínio, podemos estimar que perto de 4.000 grandes eleitores de origem portuguesa serão chamados às urnas no próximo dia 27 de setembro”.

O número está ainda a ser consolidado pela Cívica através da verificação das listas oficiais dos “Grands électeurs”, departamento por departamento, mas Paulo Marques diz que este número já permite compreender a importância desta participação.

Como são eleitos os Senadores? O funcionamento é relativamente simples. Nos departamentos que elegem um ou dois Senadores, a eleição realiza-se por escrutínio maioritário, podendo realizar-se dois turnos no mesmo dia.

Nos departamentos que elegem três Senadores ou mais, a eleição é realizada por representação proporcional, através de listas e num único turno. O voto dos “Grands électeurs” é obrigatório.

Este ano é renovada a chamada série 2 do Senado, correspondendo a 178 lugares. São abrangidos 58 departamentos metropolitanos, vários territórios ultramarinos e seis Senadores dos Franceses residentes no estrangeiro.

Os votos lusófonos também contam

Para a Comunidade portuguesa em França, esta eleição constitui mais uma demonstração de uma evolução que se vem construindo ao longo de várias décadas.

“Os Franceses de origem portuguesa já não estão apenas presentes no movimento associativo ou económico. São hoje Maires, Adjoints au Maire, Conseillers municipaux, départementaux e régionaux, Conselheiros Territoriais, assumindo responsabilidades nas instituições e participando plenamente nas decisões dos seus territórios” assume Paulo Marques, que, para além de ser Presidente da Cívica é também Adjoint au Maire de Aulnay-sous-Bois, Conseiller Territorial Paris, Terres d’Envol e vice-Presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas.

“Naturalmente, estes grandes eleitores não constituem um bloco eleitoral. Representam sensibilidades políticas diferentes, territórios diferentes e cada um exercerá livremente o seu voto. Mas há uma realidade que merece ser destacada: os votos lusófonos contam também na escolha dos Senadores franceses” garante o Presidente da Civica.

Depois dos 41.358 candidatos de origem portuguesa nas eleições municipais de março, a presença de perto de 4.000 “Grands électeurs” de origem portuguesa nas senatoriais de setembro constitui mais uma expressão concreta da crescente participação política dos Franceses de origem portuguesa.

Uma Comunidade cada vez mais presente na democracia local francesa e que, através dos seus eleitos, participa também na composição da segunda Câmara do Parlamento.

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