
Mathias Isidoro conhece bem o trabalho associativo. Fundou a Associação Portugal du Nord au Sud, em Saint-Brice-sous-Forêt (95), quando tinha 17 anos, e continua ligado à Comunidade portuguesa da região parisiense. Em 2023, foi voluntário na Jornada Mundial da Juventude, em Lisboa. A experiência marcou-o tanto que, ao saber da visita do Papa Leão XIV a França, decidiu voltar a participar.
No Stade de France, em Saint-Denis, coordenou uma equipa de 14 voluntários durante o encontro do Papa com os jovens. Passou o dia entre a preparação do estádio e o acolhimento dos participantes. Não conseguiu ver Leão XIV de perto, mas diz que guarda sobretudo as pessoas que conheceu e tudo o que viveram juntos até àquela noite.
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Como surgiu a oportunidade de participar como voluntário nesta visita do Papa?
Em 2023, já tinha tido a oportunidade de ser voluntário na Jornada Mundial da Juventude, em Lisboa, e foi uma experiência que me marcou profundamente. Ainda hoje me lembro daqueles dias como se tivessem sido ontem: o ambiente, a partilha, a fé e todas as pessoas que conheci.
Por isso, quando soube que o Papa viria a Paris e que existia a possibilidade de participar como voluntário, foi natural querer repetir a experiência. Depois de ter vivido um momento tão especial em Portugal, poder participar num acontecimento desta dimensão em França tinha também um significado particular.
Ser voluntário permite-nos viver estes momentos de uma forma diferente. Não estamos apenas a assistir, estamos também a contribuir para que tudo aconteça da melhor maneira. Foi uma oportunidade que não queria deixar passar e mais uma experiência que certamente ficará na minha memória durante muitos anos.
Qual era a sua função no Stade de France? Como decorreu o seu dia, desde a chegada até ao fim do evento?
Ao longo do dia tive várias funções e fui responsável por uma equipa de 14 voluntários. Três dias antes do evento, tivemos uma reunião por videoconferência para nos conhecermos, organizarmos a equipa e percebermos quais seriam as diferentes missões no Stade de France.
No próprio dia, começámos bastante cedo. De manhã, percorremos o estádio para reconhecer os diferentes espaços e perceber onde teríamos de estar ao longo do dia. Numa primeira fase, estivemos sobretudo envolvidos em missões de logística e na preparação da chegada dos participantes.
Depois, acolhemos cerca de 2.000 jovens que faziam parte do coro. No início da tarde, recebemos também os intervenientes da vigília e os profissionais dos meios de comunicação social.
Quando as portas abriram ao público, o ambiente mudou completamente e o estádio começou a ganhar vida. Foi um dia muito intenso, com muito trabalho e responsabilidade, mas também com um grande espírito de equipa, alegria e entreajuda entre todos os voluntários.
Conseguiu aproximar-se do Papa ou vê-lo de perto? Como viveu esse momento?
Infelizmente, não tive a oportunidade de me aproximar do Papa nem de o ver verdadeiramente de perto. Claro que teria sido um momento muito especial, sobretudo depois de toda a expectativa e preparação, mas isso não retirou importância à experiência que vivi.
Há momentos que esperamos, preparamos e sonhamos com muita intensidade, mas nem sempre tudo acontece como imaginamos. No entanto, nada apaga o que foi vivido até chegar àquele dia: a espera, os sorrisos, as emoções, as pessoas que conhecemos e os laços que criámos.
Para mim, o mais importante foi ter estado presente, ter contribuído enquanto voluntário e ter partilhado esta experiência com tantas pessoas. Às vezes, a melhor recordação não é exatamente aquela que esperávamos viver, mas todo o caminho e tudo aquilo que vivemos para lá chegar.
O que mais o marcou durante esta experiência?
O que mais me marcou foi, sem dúvida, a dimensão humana. Ver tantas pessoas reunidas no mesmo lugar, vindas de diferentes regiões e até de países diferentes, com percursos de vida tão distintos, mas unidas pela mesma fé e pelo desejo de viver aquele momento juntas, foi algo muito forte. Na minha equipa havia uma jovem do México e outro jovem da Argentina.
De certa forma, fez-me recordar aquilo que tinha vivido na JMJ de Lisboa, em 2023: esse sentimento de fazer parte de algo maior, onde pessoas que não se conheciam acabam por se unir em torno dos mesmos valores. São sobretudo estes encontros, estas emoções e estas pessoas que ficam na memória.
O que significa para si a visita do Papa a França?
Acredito que haverá um “antes” e um “depois” da visita do Papa a França. Um acontecimento desta dimensão deixa uma marca, não apenas na Igreja, mas também em todas as pessoas que tiveram a oportunidade de o viver e de participar nele.
Para mim, a visita do Papa representa sobretudo uma mensagem de esperança, de união e de proximidade. Num mundo onde existem tantas divisões, conflitos e dificuldades, precisamos de momentos como este, capazes de reunir milhares de pessoas em torno de valores como a fraternidade, a solidariedade, a paz e o respeito pelo próximo.
Espero também que esta visita deixe uma dinâmica para o futuro, especialmente entre os mais jovens. Mais do que aquilo que aconteceu durante estes dias, será importante aquilo que cada um levará consigo e continuará a construir depois. É por isso que acredito que esta visita não termina com a partida do Papa: de certa forma, é aí que começa o “depois”.
Na sua opinião, que importância teve esta visita para a Comunidade portuguesa de Paris e da região?
A Comunidade portuguesa é muito numerosa e mantém uma ligação forte a Portugal, à fé e às nossas tradições. Por isso, acredito que esta visita teve um significado especial para muitos portugueses que vivem em França.
A fé faz parte da nossa cultura e da nossa identidade. Para muitas famílias portuguesas emigradas, Fátima continua a ser um lugar de passagem, de encontro e de ligação às nossas raízes.
Esta visita foi também uma oportunidade para nos sentirmos parte de algo maior, ao lado de pessoas de tantas nacionalidades diferentes. Para quem vive longe do seu país, estes momentos reforçam o sentimento de comunidade, de união e de pertença.
Depois de termos vivido este momento em França, resta-nos esperar pelo próximo encontro. Quem sabe se não voltaremos a encontrar o Papa Leão XIV em Portugal em 2027? Seria certamente mais um momento muito especial para todos nós. E, se me perguntar se lá estarei, a minha resposta é simples: farei todos os possíveis para estar presente.




