O Evangelho de hoje apresenta-nos um texto difícil de compreender: Por um lado, «Convidai para as bodas todos os que encontrardes»; por outro, «lançai-o às trevas exteriores». De facto, o castigo e a expulsão do convidado sem veste nupcial, no final do relato, parecem contradizer a alegria da festa e o convite aberto a todos.
Muitos estudiosos da Bíblia consideram que Mateus reuniu duas parábolas originalmente distintas: a dos convidados para o banquete (vv. 2-10) e a da veste nupcial (vv. 11-14). Esta hipótese ajuda-nos a compreender as mudanças bruscas da narrativa. Mas, no coração do texto, ressoa uma ordem extraordinária: «Convidai para as bodas todos os que encontrardes».
Todos, todos, todos! Não apenas os conhecidos, os merecedores, os que pensam como nós. Deus manda procurar as pessoas pelas estradas e encruzilhadas da vida. Bons e maus, próximos e distantes. Ninguém é excluído antecipadamente. O Reino de Deus começa com a generosidade de um convite, não com uma lista de privilegiados.
A veste nupcial recorda-nos que o convite pede uma resposta concreta: deixar que o amor recebido transforme a nossa vida. Eis a missão da Igreja: sair, encontrar, acolher e convidar. Não somos os donos da festa, mas os mensageiros do convite. Se Deus abre as portas a todos, quem somos nós para as fechar?




