Um pouco de história…
“No Entrudo come-se tudo”.
Mas é preciso cuidado com afirmações definitivas: no Entrudo, não tem lugar o peixe, que, segundo a sabedoria popular, não puxa carroças, e nesta quadra festiva há sempre carroças a puxar, algumas bem pesadas por sinal.
O Carnaval é festejado nos três dias que antecedem a Quaresma, que começa na Quarta-Feira de Cinzas e se prolonga até à Páscoa.
Mas em rigor, logo a seguir à quadra natalícia, mais concretamente no termo do período dos doze dias que vão do Natal aos Reis, começa a preparar-se o ambiente para o Carnaval. E pode dizer-se que noutros tempos a época carnavalesca começava mesmo no Dia dos Reis, 6 de janeiro. A partir de então, os domingos eram assinalados por festas já carnavalescas e grandes comezainas, o que levou a apor-lhes o designativo de Domingos Gordos.
Assim nasceram as Feijoadas de Carnaval, e diga-se desde já que as melhores são as do Norte, com destaque para as Transmontanas, enriquecidas com o fumeiro da região.
Na Beira Litoral, faz-se uma Feijoada com orelheira, a que se juntam muitos nabos (4 para 1 orelha) e a respetiva rama, tenrinha.
Nas Minas da Panasqueira, há uma Feijoada temperada com massa de pimentão, e na qual, do porco, só se usam os pezinhos.
No Porto, toda a gente sabe, fazem-se grandes Feijoadas e diga-se enfim que as tripas não seriam o que são se lhes faltasse a saborosa leguminosa. Falta acrescentar que os Açorianos juntam à Feijoada ramos de funcho, prevenindo assim eventuais flatulências.
Manda a tradição que a feijoada seja sempre acompanhada por arroz, e há uma explicação para o facto: o cereal melhora a qualidade das respetivas proteínas. No Norte, em princípio, o arroz é de forno, devendo ser servido no recipiente em que foi cozinhado.
Ingredientes
(para seis pessoas ou 4 como eu…)
- 1 orelheira fumada
- 1 chouriço de carne
- 1 salpicão
- 700 g de feijão branco cozido
- 1 lata pequena de tomate pelado
- 2 cenouras
- 2 cebolas
- 3 dentes de alho
- 1 dl de azeite
- 1 colher (sobremesa) de colorau
- 1 colher (chá) de cominhos
- 1 folha de louro
- Salsa picada q.b.
- Sal e pimenta q.b.
Preparação
Ponha a orelheira a demolhar em água fria de um dia para o outro. No dia, limpe-a, lave-a e coza-a em água, juntamente com o chouriço e o salpicão. Descasque as cenouras, junte-as também ao tacho e deixe cozer mais 15 minutos. Vá retirando os ingredientes consoante forem ficando cozidos, deixe arrefecer as carnes, rejeite os ossos à orelheira e corte-a em pedaços pequenos. Reserve a água da cozedura.
Descasque e pique as cebolas e os alhos, deite para um tacho, junte o azeite e a folha de louro, leve ao lume e deixe cozinhar até a cebola ficar douradinha. Adicione o tomate pelado picado com o molho e o colorau, mexa e deixe cozinhar, em lume brando, durante 10 minutos. Junte a orelheira, mexa, acrescente 5 dl da água de cozer as carne e as cenouras cortadas em rodela, mexa e deixe ferver.
Adicione depois o feijão branco cozido, misture e deixe cozinhar até ficar bem apuradinho. Retifique o sal, tempere com um pouco de pimenta, polvilhe com os cominhos e sirva com o chouriço e o salpicão cortados em rodelas. Decore com salsa picada e acompanhe com arroz branco.
Nota: Se verificar que o feijão cozido tem pouco caldo, junte mais um pouco da água de cozer as carnes.
Toque especial: Um pouquinho de picante não faz mal nenhum. Será necessário dizer ainda que as feijoadas são melhores se forem reaquecidas? Acho que não… a única questão é se sobram para o dia seguinte.
Vinho: Poderia falar de um vinho resultante de uma mistura das castas Aragonês, Touriga Nacional, bla-bla-bla-bla….. mas acho que os nosso leitores já conhecem bem qual é o vinho com o qual vão acompanhar esta Feijoada.
Sobremesa (em bónus) Filhoses de Carnaval
Em dia de Carnaval elas não podem faltar. São super deliciosas e estão à sua espera! Experimente já esta receita e surpreenda os mais pequenos com esta receita simples e económica, eles vão adorar.
Ingredientes
(para 8 crianças)
- 500 g de farinha
- 50 g de manteiga
- 4 ovos
- 2 dl de leite morno
- 2 colheres (sopa) de açúcar
- Raspa da casca de 1 limão
- 1 saqueta de fermento seco de padeiro (11 g)
- Farinha para polvilhar
- Açúcar para polvilhar
- Canela em pó para polvilhar
- Óleo para fritar
Preparação
Para preparar estas Filhoses de Carnaval, dissolva o fermento no leite morno. Deite a farinha em cima da mesa, junte o açúcar, a raspa do limão, os ovos, a manteiga derretida e o leite com o fermento e misture bem. Depois trabalhe bem a massa até se descolar da mesa e das mãos, deite-a numa tigela polvilhada com farinha, cubra com um pano e deixe levedar até triplicar o volume.
Leve um tacho ao lume com óleo abundante e deixe aquecer. Retire um pouco da massa do tamanho de um ovo e abra com os dedos a partir do interior para os bordos de modo a ficar tipo uma argola. Deite no óleo quente, deixe fritar até ficar douradinha de ambos os lados, retire e deixe escorrer. Repita até terminar a massa.
Depois polvilhe com açúcar e canela em pó e sirva.
Dica: Diga às criança que não há sobremesa… afinal sempre é Carnaval e ninguém leva a mal…
Reza a Lenda que…
Quando Catarina de Médicis viajou para Marseille para casar com o Duque de Orléans, futuro Henrique II, o Frade Valeriano explicou-lhe que os homens também se conquistam pelo estômago e meteu-lhe na bagagem um saco com feijões.
Parece que o frade tinha toda a razão.
O feijão chegou à Europa Ocidental em 1528 e os historiadores atribuem o feito ao Papa Clemente VII que, tendo recebido das Índias Ocidentais umas estranhas sementes em forma de rim, ordenou a um Frade, Piero Valeriano, que as semeasse.
Os resultados finais foram excelentes: além do mais, os frutos produzidos (batizados com o nome de fagioli, por fazerem lembrar as favas) eram agradáveis ao paladar.
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