
Uma ciclovia “O Caminho da Esperança”, com cerca de 11 quilómetros, foi inaugurada na semana passada em Carregal do Sal, e liga a Câmara ao Museu Aristides de Sousa Mendes e à estação de comboios em Oliveirinha.
A ciclovia “O Caminho da Esperança” “ultrapassa a prática de vida saudável, com uso de bicicleta ou a caminhar, porque é, sobretudo, um caminho que nos alerta para aquilo que foi o legado de Aristides de Sousa Mendes”, afirmou o Presidente da Câmara Municipal de Carregal do Sal, Paulo Catalino Ferraz.
Na sessão que antecedeu a inauguração da ciclovia, ao final da manhã, o autarca destacou que os “quase 11 quilómetros de via têm quatro estações muito simbólicas” da vida de Aristides de Sousa Mendes.
A primeira junto à Câmara, no centro da vila, e as outras três ao longo do caminho que passa pelo Museu de Aristides de Sousa Mendes, em Cabanas de Viriato, e termina em Oliveirinha, junto à estação da Linha da Beira Alta, na freguesia de Oliveira do Conde. “São quatro estações que nos remetem a quatro momentos fundamentais da passagem dos refugiados que Aristides de Sousa Mendes ajudou pelas fronteiras de Irun, Espanha e Vilar Formoso, distrito da Guarda, Bordeaux, onde o Cônsul estava, e depois, claro, a chegada a Carregal do Sal, a Portugal, de onde a maior parte dos refugiados seguiu para outros países, nomeadamente os Estados Unidos e o sul da América”, sublinhou o autarca.
Para o Presidente da Câmara de Carregal do Sal, distrito de Viseu, estas quatro estações, “além de simbolizarem estes momentos, têm também a simbologia” na via com a estação que, por exemplo, simboliza Bordeaux: “quatro paredes fechadas, sem luz, sem janela”.
Nas restantes “já se abre uma janela e depois uma porta” até que, em Oliveirinha, “há também uma parede que se abre e que é a luz que Aristides de Sousa Mendes deu a todos os refugiados” da perseguição nazi, em 1940.
“Se hoje todos eles representassem aquilo que é a descendência de todos os que salvou, estaríamos a falar em cerca de 750 mil pessoas que resultaram de um salvamento de um homem, Aristides de Sousa Mendes”, realçou.
Na inauguração, aconteceu um “ato simbólico, mas expressivo” como o plantar de uma oliveira, na primeira estação, denominada Oliveira Sagrada, que “dá início a um circuito de várias oliveiras que têm associados todos estes marcos e o feito” de Aristides.
“O nosso mundo hoje” precisa de “servidores públicos que tenham coragem para assumir o lado bom da história. Não é lutar pelo poder, pelo protagonismo, nem pelos ódios (…) Hoje precisamos de continuar a estar do lado certo da História como é o exemplo de Aristides”, vincou Paulo Catalino Ferraz.
O Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Centro, José Ribau Esteves, salientou a importância que “a vida de certas pessoas tem, só pela felicidade que provoca noutras” e, a propósito, recordou o antigo autarca de Carregal do Sal Atílio Nunes.
Já o Secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, reforçou a “importância de iniciativas” como a ciclovia, para atrair pessoas aos territórios e, acima de tudo, “porque projetos como esses levam muita felicidade às comunidades locais”.
Na sessão marcaram presença também, entre outras entidades, familiares descendentes de Aristides e os Presidentes do Turismo de Portugal e do Turismo Centro, Carlos Abade e Rui Ventura, respetivamente.
Nascido na casa que hoje é o museu, em 19 de julho de 1885, Aristides de Sousa Mendes era, em 1940, no início da II Guerra Mundial (1939/45), Cônsul em Bordeaux.
Então, concedeu cerca de 30 mil vistos, salvando refugiados do nazismo, a maioria judeus, contra as ordens do regime fascista de Oliveira Salazar.
Obrigado a voltar a Portugal, Aristides foi demitido do cargo e ficou na miséria, com a sua numerosa família. Morreu na pobreza em 03 de abril de 1954, no Hospital dos Franciscanos, em Lisboa.






