Portugal Nação Global: um fórum para ligar a diáspora ao desenvolvimento económico de Portugal


Decorreu nos dias 29 e 30 de abril, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, o primeiro fórum “Portugal Nação Global”, que teve como promotores o Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Gabinete da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas e a Associação Empresarial Portuguesa (AEP), tendo como parceiros diversos outras instituições estatais, privadas e bancárias.

No fim desta reunião de dois dias, o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas (SECP), Emídio Sousa, confessou estar satisfeito na sessão de encerramento, que teve lugar no grande auditório do CCB.

Depois de ter agradecido a todos quantos acreditaram e contribuíram para o sucesso desta primeira reunião, o SECP, citou os números: 189 empresas da diáspora presentes, vindas de cinco continentes e de 43 países, e 200 empresas nacionais. Estiveram presentes nesta reunião 803 pessoas credenciadas, tendo participado ainda cerca de 200 pessoas não credenciadas. Houve 200 reuniões de negócios, envolvendo mais de 400 pessoas inscritas.

O intuito desta reunião foi tentar criar laços entre empresas portuguesas sediadas em Portugal e na diáspora, sendo as municipalidades um vetor importante, testemunhando a sua presença através de apresentações em palco dos seus territórios e com stands nas salas de receção.

O governo esteve igualmente presente com diversas personalidades.

Estiveram no fórum, em apresentações e debates, para além do Primeiro-Ministro, Luís Montenegro que abriu a reunião, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, o Secretário de Estado das Comunidades, organizador do encontro, Emídio Sousa, os Secretários de Estado da Economia, João Rui Ferreira, e Silvério Regalado, Secretário de Estado das Autarquias Locais e Ordenamento do Território. Moderaram as apresentações e debates diversos jornalistas, em grande maioria da televisão pública RTP.

Estiveram presentes neste fórum as mais diversas personalidades empresariais.

O balanço desta reunião a nível organizacional é positivo, não tendo sido observadas falhas a este nível.

Quando foi proposto pelo Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, dar o nome ao fórum de “Portugal Nação Global”, alguns dos intervenientes questionaram-se sobre o nome, contudo todos acabaram por admitir a justeza da designação, nomeadamente o próprio Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, que a ela fez referência durante as suas intervenções.

O conceito de “Portugal Nação Global”

Emídio Sousa explica o sucesso do fórum pelo facto, entre outros, de ter decidido não financiar as viagens e estadias das empresas da diáspora presentes. Tratou-se de um encargo importante que as empresas suportaram, mas que certamente amortizaram pelos resultados que puderam advir dos contactos efetuados durante a reunião e da existência de projetos de investimento em Portugal já em estudo ou a programar.

A razão do nome “Portugal Nação Global” está no facto de Portugal não ser simplesmente os seus 92 mil quilómetros quadrados e os seus 10,5 milhões de habitantes no continente europeu.

Portugal é isso, mas também tem o dever de contar com os portugueses e lusodescendentes espalhados pelo mundo. Fala-se regularmente em cinco milhões de portugueses no estrangeiro, contudo foram referidos números bem superiores, podendo atingir entre 20 a 23 milhões de descendentes espalhados globalmente, muitos dos quais mantêm um sentimento de pertença, mesmo após várias gerações.

“Portugal Nação Global” porque, mais do que nunca, os mercados não se limitam ao país, nem apenas à Europa, mas ao mundo. Por diversas ocasiões, ao longo dos dois dias, foi dado como exemplo os Estados Unidos, um mercado importante pelo número de habitantes e consumidores, mas também aberto à criação de empresas com relativa rapidez e menor burocracia.

Emídio Sousa, durante a sessão de abertura, frisou que todos os presentes não estavam ali apenas como ouvintes ou espectadores, mas como atores do que iria decorrer durante os dois dias.

Durante a quarta-feira, dia 29, e quinta-feira, dia 30 de abril, realizaram-se sessões e reuniões plenárias, às quais sucederam reuniões paralelas com temáticas dirigidas a diferentes perfis de investidores da diáspora.

O Primeiro-Ministro português, que abriu o fórum, deu desde logo o tom da reunião, referindo o sentimento de milhões de pessoas pelo mundo em relação a Portugal, do ponto de vista histórico, cultural e identitário. Destacou ainda a capacidade de integração dos portugueses, mantendo, contudo, uma forte ligação ao país de origem.

Luís Montenegro sublinhou no seu discurso o desempenho recente de Portugal, com indicadores superiores à média europeia nos últimos anos, destacando também a segurança do país e os avanços na transição energética, com custos competitivos. Referiu ainda o esforço em curso para reduzir a burocracia.

Exemplos da diáspora e oportunidades

Na sessão de abertura plenária, foi dada a oportunidade de conhecer três empresários de sucesso da diáspora: António Pargana (Brasil), Jorge Viegas (Suíça) e Luísa Buinhas (Alemanha), apresentados como exemplos de capacidade empreendedora.

As sessões plenárias e paralelas sucederam-se a bom ritmo, permitindo aos participantes conhecer diversos aspetos ligados ao investimento em Portugal, incluindo: Parques empresariais e ecossistemas de inovação; Diplomacia económica municipal; Oportunidades de investimento em Portugal e no mundo; O papel da diáspora na internacionalização; Estratégias de expansão global.

No segundo dia, foram abordados temas como comunidades, economia e territórios, além de reuniões empresariais B2B e sessões sobre desburocratização, regulamentação e instrumentos financeiros.

O fórum terminou com duas sessões plenárias dedicadas ao futuro, incluindo “2026 e além: oportunidades para Portugal global”.

O encerramento decorreu entre as 16h15 e as 17h15, iniciando-se com uma atuação de guitarra portuguesa por Mafalda Lemos, seguida de intervenções institucionais em forma de balanço e abertura de perspetivas por Luis Miguel Ribeiro, Presidente da Fundação AEP, Emídio Sousa, Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas e Paulo Rangel, Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros do XXV Governo de Portugal.

A Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, em parceria com a Fundação AEP, lançou esta primeira edição com o objetivo de afirmar a diáspora como um ativo estratégico para o desenvolvimento económico.

Foi ainda decidido dar continuidade à plataforma digital “Rede Global”, criada pela AEP, como ferramenta permanente de ligação entre a diáspora empresarial e Portugal.

Este primeiro fórum “Portugal Nação Global” evidenciou o forte potencial da diáspora portuguesa como motor de investimento e desenvolvimento económico. Ficou claro que existe vontade, capacidade e interesse por parte dos portugueses no estrangeiro em reforçar a ligação ao país.

Ao mesmo tempo, destacou-se a necessidade de continuar a simplificar processos administrativos e criar condições mais atrativas ao investimento. Com ambição de continuidade e crescimento, esta iniciativa poderá tornar-se uma peça central na estratégia de internacionalização da economia portuguesa e no reforço da sua presença global.

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