Esta sexta-feira, dia 30 de abril, às 20h00, o cinema City Alvalade, em Lisboa, acolheu a primeira projeção em Portugal do filme “Damas”, de Cláudia Alves. O LusoJornal assistiu à estreia. Ao final da exibição, a realizadora, as atrizes e alguns membros da equipa técnica participaram num diálogo com o público presente, trocando impressões sobre o filme.
Fomos surpreendidos pela projeção de Damas. Desconhecemos a existência do filme, até poucas horas antes da sessão. Foi-nos comprado o último bilhete da primeira sessão. Uma surpresa completa.
Depois de visionarmos o filme, a emoção e as impressões surgem de imediato: “Damas” é, sem dúvida, uma bela homenagem à mulher portuguesa. O filme presta também uma homenagem especial às enfermeiras portuguesas da I Guerra mundial, um elemento do Corpo Expedicionário Português (CEP) muitas vezes esquecido. Além disso, “Damas” é um filme que resgata e divulga a participação de Portugal na I Guerra mundial através do Corpo Expedicionário Português.
Este é um filme que deveria ser projetado em todas as escolas portuguesas, a fim de sensibilizar os jovens, mas não só, sobre a importância de conhecermos a nossa história. Este conhecimento ajuda-nos a evitar sermos manipulados pelos meios de comunicação e pelas redes sociais, razão pela qual “Damas” é, sem dúvida, um documentário/filme que todos deveríamos de ver.
“Damas” evidencia o quão difícil pode ser tratar e utilizar arquivos históricos para além da dificuldade de se produzir e realizar filmes em Portugal. Para Cláudia Alves, “Damas” foi um projeto desafiador que levou tempo para ser concretizado. Em declarações à Lusa, a realizadora explicou como, de forma inesperada, surgiu a ideia para o filme: “Um acaso conduziu-me aos arquivos da Cruz Vermelha Portuguesa, onde encontrei este álbum de fotografias de mulheres portuguesas que foram para a guerra”, relata a realizadora no início do filme, enquanto manuseia o álbum e questiona: “Por que na história das guerras só encontramos homens?”
“Damas” é uma obra cinematográfica que combina material de arquivo com encenação, narração ficcionada e comentários, com o objetivo de reconstruir a história das chamadas “damas enfermeiras”. Este grupo de mulheres da alta sociedade voluntariou-se para prestar cuidados aos feridos e, a partir do nada, construiu um hospital na frente de guerra, em Ambleteuse, no norte da França, inaugurado em 9 de abril de 1918, durante a Batalha de La Lys.
“Foi uma feliz coincidência ter encontrado a história dessas mulheres, que eu não fazia ideia de que haviam participado da guerra”, afirmou Cláudia Alves.

“Damas” estreou mundialmente em 2025, no Festival Internacional de Cine en Guadalajara (FICG), no México, e passou pelo laboratório Arché – Doclisboa, onde arrecadou o Prémio de Melhor Filme em Desenvolvimento.
O documentário está dividido em quatro partes: a primeira, uma introdução ao processo de pesquisa e descoberta da história dessas mulheres; a segunda, “Crónicas de Guerra”, que foca na construção do hospital e nos episódios da guerra; e o epílogo, que aborda o pós-guerra. A personagem principal, Teresa Faria, aliás Dona Maria Antónia no filme, conduz a história através de um relato na primeira pessoa.
Atualmente, o filme está em exibição no cinema City Alvalade até ao dia 5 de maio, em Lisboa. Seguirá para Coimbra e outras cidades do país.
É, no mínimo, emocionante assistir a um filme/documentário que trata de temas pouco discutidos e onde se evoca lugares sobre os quais pouco se sabe e sobre os quais nós mesmos pesquisamos e frequentamos. É, contudo, encorajador perceber que estes temas começam a interessar cada vez mais os portugueses… histórias da História de Portugal, ajudando a expandir e divulgar, com ênfase em episódios que, até então, eram muitas vezes negligenciados.
“Damas” não é apenas um filme sobre a I Guerra mundial, mas uma importante ferramenta de educação histórica. Ao resgatar e divulgar histórias esquecidas. “Damas” lembram a necessidade de preservar e estudar o nosso passado, para que possamos compreender melhor o presente e o futuro. “Damas” é, sem dúvida, uma obra cinematográfica que merece ser vista e discutida, não apenas por cineastas e historiadores, mas por todos os cidadãos portugueses.







