Bárbara Gomes diz que os sindicatos devem analisar abusos contra mulheres de limpeza portuguesas em França

A Conselheira municipal de Paris Bárbara Gomes defendeu que os abusos contra mulheres de limpeza de origem portuguesa na região Norte de França devem dar origem a uma “reação sindical forte” para sinalizar casos às autoridades.

“Sei que já há mulheres que vão à CGT e a primeira reação vai ser sindical, já que há um aumento no número de casos, uma ação sindical forte porque são pessoas que trabalham sozinhas e estão isoladas. E há depois uma reação política e temos de pensar como vamos ajudar estas mulheres”, afirmou Bárbara Gomes, Conselheira municipal de Paris e professora convidada da Universidade Politécnica de Hauts-de-France, em declarações à Lusa.

Esta lusodescendente é especializada em Direito do Trabalho e assumiu recentemente o seu lugar no órgão máximo da Câmara de Paris, tendo sido eleita pelo 18º bairro integrando a lista comunista. Antes disto, Bárbara Gomes fez parte das estruturas jovens da CGT, segunda maior central sindical de França.

Um artigo publicado no final de agosto no jornal online Mediapart tem suscitado reações nas redes sociais ao relatar a realidade de mulheres portuguesas que trabalharam vários anos para patrões abastados e que vêm muitas vezes os seus vários anos de trabalho acabarem com uma demissão forçada e ameaças.

“Muitas destas mulheres estão a chegar à reforma e os patrões não querem pagar as prestações sociais no momento da reforma, que dependem do número de anos que têm de serviço, então fazem muita pressão para as pessoas se demitirem e elas têm o direito do lado delas, mas é difícil ter provas das horas feitas e fazem com que a situação delas seja complicada”, indicou a Conselheira municipal de Paris.

Mesmo com um contrato declarado, há situações muito diferentes. Entre mulheres que trabalham para vários patrões até casos em que apenas uma parte das suas horas é declaradas e outra parte é paga sem qualquer registo. No entanto, seja qual for a situação, há recursos. “Há sempre os sindicatos como recurso, mas também a inspeção do trabalho e, se a situação for mesmo complicada, deve chamar-se a polícia”, indicou Bárbara Gomes.

Para esta lusodescendente “os Portugueses em França sofrem de um racismo social importante” e ainda agora é difícil ser de origem portuguesa e destacar-se noutros campos. “Somos poucos a estar na política e a ter trabalhos que a sociedade valoriza. As pessoas gostam dos portugueses por serem muito trabalhadores e calados, mas quando alguém consegue alguma coisa mais, há sempre reações e as pessoas vão sempre lembrar-nos a que classe pertencemos”, concluiu.

 

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7 Comments Deixe uma resposta

  1. “Mulheres da limpeza”??
    Não podem dizer “empregadas de limpeza” pura e simplesmente?
    Mostrem um pouco de respeito por estas pessoas!

  2. Mediapart fez um trabalho de qualidade sobre o que se passou e passa com as chamadas “femmes de ménage” portuguesas.
    Gostaria contudo de fazer algumas refleçoes:
    . Este tipo de casos nao existe simplesmente no Norte de França
    . Estou convencido que “femmes de ménage” francesas e de outras nacionalidades têm o mesmo tipo de problemas que as “femmes de ménage” portuguesas.
    . Temos posto em évidência através do lusojornal da riqueza da comunidade na regiao Norte, comunidade que aqui, como por toda a França ocupa postos importantes em todo o tipo de atividades. Prova do dinamismo dos portugueses no Hauts de France é o Comité Hauts de France Portugal, business club, etc
    Nao deixemos de denunciar este tipo de problemas e de defender as vitimas, nao stigmatizemos contudo o problema numa regiao

    • “. Este tipo de casos nao existe simplesmente no Norte de França”? Então há-de explicar por que razão a Mediapart publicou este artigo.

  3. Casos isolados não fazem uma generalidade….
    Milhares de portugueses são reconhecidos pelos seus valores profissionais. Alguns com muito sucesso.
    Um discurso de valorização da disporá: isso é dever político

    • Outra coisa, sr. Jc Costa: esssa ideia do discurso de valorização é muito bonita, mas não se deve tapar o sol com a peneira. Quando há algo que corre mal, quando há situações injustas, tudo isso deve ser denunciado. Porque, diga o que disser, há muitos portugueses em França que não estão assim tão bem integrados como se pensa. Só não vê quem não quer.

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