
O Evangelho de hoje é uma correria: temos Maria Madalena apressada e ofegante na escuridão da manhã; temos Pedro e o discípulo amado que correm para o túmulo. É uma cena marcada pela confusão, pelo medo e pela perplexidade. Num primeiro momento, o túmulo vazio não aparece como um anúncio de vitória, mas como a confirmação de um roubo, o eco de mais uma ofensa: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». No culminar desta correria, o evangelista constata: «ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos» (João 20,9).
Esta última frase é uma confissão desarmante e consoladora. Por vezes, imaginamos os apóstolos como “super-heróis” da fé, prontos a acreditar sem hesitação em cada palavra de Jesus. Em vez disso, o Evangelho revela a lentidão deles (e a nossa também). Os apóstolos seguiram Jesus durante três anos, testemunharam vários prodígios, escutaram catequeses e promessas. Mas perante a cruz e o túmulo vazio «AINDA não conseguem entender».
Aquele “ainda” abre a porta da esperança: lembra-nos que a fé na Ressurreição não é um download instantâneo de certezas, nem uma correria tresloucada: é um caminho longo, demorado e paciente. Peçamos a graça de ir além do túmulo vazio e de acolher a luz das Escrituras, para reconhecermos que a última Palavra não pertencerá à morte, mas sim ao Senhor da Vida.




