
A agência Lusa não tem colaborador em Paris há longos meses, mas o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) considera que a reforma da Lusa deve reforçar a relevância da agência para a diáspora e defendeu que sejam salvaguardadas a independência editorial, estabilidade financeira, transparência e missão de serviço público.
“Qualquer modelo adotado deverá salvaguardar, de forma inequívoca, a independência editorial, a estabilidade financeira, a transparência da gestão, a qualidade e credibilidade da informação e a continuidade da missão de serviço público da Agência”, destacou o CCP, num parecer remetido à Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto da Assembleia da República.
O CCP sublinhou que a missão de serviço público da Lusa deve integrar de forma expressa e permanente “a realidade das Comunidades portuguesas residentes no estrangeiro, reconhecendo-as como parte integrante da realidade nacional e valorizando o papel dos órgãos de comunicação social da diáspora na divulgação de informação, na promoção da língua e cultura portuguesas e no reforço da participação cívica”.
Este contributo tinha sido solicitado pela Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto da Assembleia da República ao CCP bem como a outras entidades consideradas relevantes, para enriquecer o processo legislativo relativo ao futuro modelo institucional da agência Lusa.
Na opinião do CCP, a reforma da Lusa representa “uma oportunidade para reforçar não apenas a sua independência, sustentabilidade e transparência, mas também a sua capacidade para servir todos os portugueses, independentemente do país onde residam”.
O papel da Lusa deve, por isso, consolidar-se como “instrumento de ligação entre Portugal e as suas Comunidades espalhadas pelo mundo”, destacou este órgão de consulta do Estado português em matéria de emigração e Comunidades.
O CCP quer que a realidade das Comunidades portuguesas no estrangeiro passe a estar expressamente integrada na missão de serviço público da Lusa, garantindo uma cobertura regular e diversificada da diáspora. Paris deixou, aparentemente de ser prioridade porque depois do regresso a Lisboa da jornalista Maria Constantino, a agência portuguesa de notícias não nomeou ninguém para Paris.
O Conselho das Comunidades defende também que o próprio CCP continue a ter representação num órgão consultivo da agência, para dar voz às Comunidades sem interferir na independência editorial.
O CCP propõe ainda o reforço de “mecanismos permanentes de cooperação entre a Agência Lusa e os órgãos de comunicação social portugueses sediados no estrangeiro, favorecendo a circulação de informação, a partilha de conteúdos e uma maior visibilidade das realidades das Comunidades portuguesas” e que os órgãos de comunicação social portugueses no estrangeiro, sobretudo os mais pequenos e comunitários, tenham condições de acesso aos serviços da Lusa ajustadas à sua realidade económica.






