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Carlos Gonçalves mora em Ormesson-sur-Marne (94), mas é Deputado na Assembleia da República Portuguesa, eleito (PSD) pelo círculo eleitoral da Emigração na Europa.

Nume entrevista do LusoJornal, diz que “há valores essenciais que terão no futuro de ser as verdadeiras prioridades” e faz uma recomendação: “fiquem em casa”.

 

Como está a passar este período?

Depois de, na passada quarta-feira, ter estado na Assembleia da República, no debate e votação sobre a entrada em vigor do Estado de Emergência, regressei a casa para junto da minha família e para junto da minha Comunidade. Assim, encontro-me neste momento em Ormesson-sur-Marne com a minha família e apenas me desloco regularmente a Saint Maur para prestar apoio à minha mãe que ali reside. Apesar de estar em França estou em permanente contacto com os serviços da Assembleia da República e com o meu Grupo parlamentar. Hoje, com as novas tecnologias de comunicação é possível dialogar, debater e trabalhar à distância. Assim, os Deputados do meu Grupo parlamentar estão em permanente contacto e no meu caso, após ter participado numa discussão entre os membros da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, subscrevi ontem um requerimento para que o Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros seja ouvido na Assembleia da República sobre o “apoio aos Portugueses que se encontram no estrangeiro” e que pretendem neste momento regressar a Portugal. Durante estes últimos dias também tenho procurado ajudar o regresso a Portugal de vários Portugueses que se encontram no estrangeiro e até de lusodescendentes que se encontram na mesma situação e que desejam regressar a França onde habitualmente residem. Finalmente, procuro estar o mais informado possível e seguir estritamente as regras de segurança e contingência face à pandemia do Covid19.

 

Está preocupado com a situação atual de pandemia?

Todos estamos preocupados. Preocupados com a nossa família, com os nossos amigos e com a nossa sociedade. Este é um momento que nenhum de nós pensava ter que viver. É também um enorme desafio para todos nós é só venceremos esta batalha, pois duma verdadeira batalha se trata, com solidariedade e determinação. Segundo as informações que nos chegam ainda estamos no início de um processo longo e complicado e são muitas as dúvidas que subsistem em relação ao futuro. Mas estou certo que iremos ultrapassar este difícil momento.

 

Quando esta situação estiver ultrapassada, o que espera do ‘novo mundo’?

Depois do nosso continente ter ao longo dos séculos vivido entre tragédias e conflitos conseguimos desde o final da segunda guerra mundial ter várias décadas de paz e de melhoria das condições de vida. Parecia que tudo estava garantido e afinal agora percebemos que tudo realmente pode ser efémero. Neste momento já dispensamos o que é superficial e acessório. Hoje, ao viver esta difícil situação conseguimos perceber o que é realmente importante para as nossas vidas e para o bem-estar daqueles que mais gostamos. Assim, acho que após ultrapassado este grande desafio as próprias sociedades vão ter que se adaptar a um mundo novo no qual há valores essenciais que terão no futuro de ser as verdadeiras prioridades. Esta crise vai mudar as pessoas. Nós todos vamos ver a realidade de forma bem diferente. Gostaria de deixar uma palavra de apoio e solidariedade para toda a nossa Comunidade e dizer que acredito que juntos iremos ultrapassar esta situação. Muitos de nós vivem este momento ainda com maior dificuldade pois a grande maioria das famílias emigradas têm a sua vida repartida entre o país de residência e Portugal. Mas a nossa história é isso mesmo. Muitas vezes longe da sua família e da sua terra mas sempre com um espírito de solidariedade notável. Fiquem bem. Fiquem em casa.

 

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