Embaixador de Portugal diz que “o Senegal tem mais alunos a aprender português do que a França”


O Embaixador de Portugal em França disse ao LusoJornal que “o Senegal tem mais alunos a aprender português do que a França inteira. A China tem mais alunos de português do que a França inteira. Com esta proximidade da Comunidade a Portugal, não há justificação para não haver mais alunos de língua portuguesa e também não há justificação para que os próprios franceses não estudem mais a língua portuguesa, quando ela é tão estudada por outros países” disse José Augusto Duarte.

O Embaixador português respondeu ao LusoJornal depois de ter participado, em Crosne (91), numa cerimónia de entrega de diplomas aos alunos do Instituto Camões.

“Acho que é bastante importante fazer estes eventos. Parecem um ritual, mas são rituais que dão valor às próprias circunstâncias que justificam este ritual” disse o diplomata. “Isto significa o fim de um ano letivo, a aprovação dos alunos e do esforço que eles fizeram e dos pais também fizeram na opção pela língua portuguesa. Não é obrigatório estudar português, é uma opção dos pais e é uma opção dos alunos. Então tudo o que seja elementos que valorizem essa opção e esse esforço, acho que devem ser nitidamente apoiados por todos nós”.

Quando subiu ao palco para falar a uma plateia cheia de pais e de encarregados de educação, o Embaixador José Augusto Duarte disse que quando chegou a França, considerou que o ensino da língua ia ser uma das suas principais prioridades. “São muitas as circunstâncias que contribuem para a situação atual, mas temos de ter a noção que a situação é séria e não é motivo de orgulho” disse ao LusoJornal. “Nós temos um milhão e duzentos mil Portugueses a viver em França e temos 14.000 alunos”.

A Coordenadora do Ensino Português em França, Isabel Sebastião, explica que 12.000 alunos aprendem português no ensino primário em França, entre o CE1 e o CM2, tanto no dispositivo EILE (Ensino internacional de línguas Estrangeiros) como enquanto Língua Viva. Para além disso, graças a acordos de parceria entre o Instituto Camões e algumas associações, há mais 1.000 alunos a estudar na rede associativa. Para completar as contas, há os mais de 1.100 alunos das Secções internacionais.

“São vários os fatores que contribuem para que a situação seja insatisfatória e por isso exige o esforço de todos. Exige o esforço do Estado português, em primeiro lugar, sem dúvida, mas também do Estado francês, para dar um estatuto de reciprocidade à língua portuguesa, tal como o Estado português faz à língua francesa em Portugal” explica José Augusto Duarte interrogado pelo LusoJornal. “Mas também exige esforço da própria Comunidade portuguesa, que deve investir mais e encontrar na língua portuguesa um elemento de identidade, que não é contra a sua integração em França, antes pelo contrário, uma pessoa pode ser um excelente cidadão francês e saber falar português, nada é contraditório”.

Mas o Embaixador português também considera que “não deve ser apenas uma língua de Comunidade, mas sim uma língua internacional de trabalho. Tal como nós aprendemos francês em Portugal, também os Franceses podem aprender português em França, se considerarem a língua como um instrumento internacional de trabalho, e isso é o que a língua portuguesa efetivamente é”.

José Augusto Duarte está consciente que “são várias as frentes que exigem uma intervenção longa, coordenada, para a longo prazo termos algum resultado. Eu estou plenamente ciente que não será um resultado imediato, mas que é uma batalha que merece a pena ser travada, sem dúvida que é”.

2 Comments Deixe uma resposta

  1. O ex-secretário-geral da Francofonia, o egípcio Boutros Boutros Ghali, defendeu em 4-12-2001, em Lisboa a promoção das línguas francesa, portuguesa e espanhola no plano internacional e sobretudo no seio de organizações mundiais. – O antigo secretário-geral das Nações Unidas falava em Lisboa no fim de um encontro de dirigentes de cinco organizações linguísticas dos espaços da lusofonia, hispanofonia e francofonia, presidido pela secretária executiva da Comunidades dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

    Saliento que, a Fundação Geolíngua recebeu do Sr. Boutros Ghali, dois livros contendo as palestras do 1º Colóquio Internacional, “Três Espaços linguísticos face aos desafios da mundialização”, realizado em Paris em Março de 2001. – Entretanto, propõe-se uma Aliança Sócio-Cultural e Comercial nos “Cinco Espaços Linguísticos”, ou seja, as 5 línguas latinas, unidas pelo diálogo bilingue, pelo menos! – Visto que, a língua portuguesa a espanhola e a italiana, são as três mais próximas, entre si, na sua origem materna, como se sabe, uma união entre as mesmas só viria a fortalecer a união Euro-latina e, daí para as outras partes da América do Norte e da Ásia, não latinas.

    E, é bom lembrar que é a língua portuguesa, a que mais condição etnolinguística possui para uma união democrática entre todas as línguas existentes no mundo. – O conceito dos referidos espaços linguísticos foi apresentado ao Presidente do Brasil, Lula da Silva e ao ex-ministro Gilberto Gil, em 2002 e 2003 respectivamente, em reunião pessoal, no Hotel Sheraton de Lisboa, antiga sede da Fundação Geolíngua, e posteriormente aos Ministérios da Cultura e da Educação do Brasil.

  2. Dizem que existem mais crianças ou pessoas no Senegal que em toda a França ?

    Temos que fazer essa pergunta aos pais….e não é difícil conhecer a resposta.
    Dizer que é lamentável não é, mas é pena para quem não sabe falar português no século XXI.

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