Embaixadora de França condecorou Cuca Roseta com a Ordem das Artes e Letras do Governo francês_LusoJornal·Cultura·6 Fevereiro, 2026 “França nomeou-me”. Foi assim que a fadista Cuca Roseta anunciou que foi ontem distinguida com o grau de dama da Ordem das Artes e Letras do Governo francês. “Não tenho palavras para descrever o que sinto por este reconhecimento internacional e vindo de França que é um país com a história de uma cultura riquíssima”. A condecoração foi entregue pela embaixadora de França em Portugal, Hélène Farnaud-Defromont e a cerimónia de entrega das insígnias realizou-se na Embaixada de França, em Lisboa, e na véspera da edição, em formato digital, do novo álbum da fadista, “Douce France”. A distinção, atribuída pelo ministério francês da Cultura, reconhece o contributo da artista para a projeção internacional da cultura. “Obrigada minha ‘Douce France’, o nome do meu novo álbum, que por coincidência, saí já amanhã [hoje], todo cantado em francês, com os grandes clássicos a vibrar na voz e no sentimento português” diz Cuca Roseta. “E tanto que amo a canção francesa, a elegância da língua e a força da cultura. Obrigada à lindíssima Embaixada de França por todo o carinho”. “Douce France” reúne 11 canções de intérpretes como Charles Aznavour, Charles Trenet, Barbara, Jacques Brel, Gilbert Bécaud e Édith Piaf, incluindo, entre outros temas, “La vie en rose” (Piaf/Louiguy), “Douce France” (Trenet), “Dis, quand reviendras-tu?” (Barbara), e “Aï, mourir pour toi”, que Aznavour compôs para Amália Rodrigues. O álbum, produzido pela própria Cuca Roseta em parceria com Elio Di Tanna, inclui ainda os temas “L’important, c’est la rose” (Louis Amade/Bécaud), “Avec le temps” (Léo Ferré), “Mais peut-être qu’un jour” (Aznavour/Georges Garvarentz) e “Ne me quitte pas” (Jacques Brel), entre outros. “França é a porta de entrada para o mundo nas Artes. Amália Rodrigues entrou, Fernando Pessoa, Manoel de Oliveira, Júlio Pomar. Uma honra sem limites! Esta distinção é nossa! Obrigada Portugal! Obrigada ao Fado” escreveu a fadista. A criadora de “O Teu Fado é Ser Feliz” começou a cantar na década de 1990, no coro da igreja dos Salesianos, no Estoril, onde se manteve até 2000. No ano seguinte fez parte da fundação da banda Toranja com Tiago Bettencourt, entre outros músicos, tendo feito as segundas vozes do álbum “Esquissos” (2003). Em 2005 passou a fazer parte do elenco do Clube de Fado, liderado pelo guitarrista Mário Pacheco. No ano seguinte participou no Festival RTP da Canção e em 2007 faz parte da lista de intérpretes do filme documental “Fados”, de Carlos Saura. A sua estreia discográfica deu-se em 2012 com um álbum homónimo de fados, produzido pelo músico argentino Gustavo Santaolalla. Ao longo dos anos, várias personalidades da cultura portuguesa têm recebido diferentes insígnias desta distinção criada em maio de 1957 pelo Governo francês, como, entre outros, Amália Rodrigues, António Coimbra Martins, António Filipe Pimentel, António Lobo Antunes, António Victorino d’Almeida, Eduardo Souto de Moura, Fábio Lopez, Joana Vasconcelos, João Charters de Almeida, João Luís Carrilho da Graça, João Pinharanda, Joaquim Benite, José Augusto França, José Saramago, Júlio Pomar, Leonor Silveira, Manoel de Oliveira, Manuel Célio Conceição, Maria Helena Vieira da Silva, Maria João Pires, Mariza, Mísia, Pedro Lapa, Rui Horta, Tânia Carvalho, Tiago Guedes, Tiago Rodrigues e Tony Carreira. “Esta é uma distinção para todos vocês portugueses que me seguem e me ouvem, me embalam e me levaram a crescer enchendo os meus concertos do vosso carinho, da vossa atenção, das vossas palmas que aqueceram a minha voz e que levei para fora com a confiança e a certeza de um país forte e enraizado na vibração de uma canção inédita que acerta nos corações independentemente da língua, que rasga fronteiras, que passou a ser do mundo e de todas as almas, de alma para alma, de coração para coração” diz Cuca Roseta. “Esta distinção é a memória, a tradição a vencer, o prestígio e o futuro do Fado no mundo”.