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O espólio da artista Maria Keil (1914-2012), composto por cerca de 2.000 peças, desde pintura, tapeçaria e correspondência, vai ser inventariado e depositado num museu nacional para investigação e divulgação pública, anunciou o Ministério português da Cultura.

De acordo com um comunicado da tutela, o Ministério da Cultura assinou um protocolo com Francisco Keil do Amaral, filho de Maria Keil, para a realização do inventário dos bens culturais que integram o espólio da artista, e será depositado numa instituição museológica nacional da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), sem adiantar qual.

“Sendo um objetivo estratégico do Governo conferir às mulheres artistas a visibilidade e reconhecimento devido pelo seu papel na cultura e história das artes em Portugal, o Ministério da Cultura, através da DGPC, compromete-se a executar programas de investigação e de exposições itinerantes, de modo a dar a conhecer a vida e obra de Maria Keil, em articulação com a estratégia para a exibição das obras de arte que integram a Coleção de Arte Contemporânea do Estado”, acrescentou o Ministério.

A tutela recorda que, na prossecução deste objetivo e no âmbito da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, foi assinado, em dezembro de 2019, um protocolo entre o Ministério da Cultura e a Fundação Calouste Gulbenkian para a realização de uma grande exposição que tem por base obras de mulheres artistas portuguesas dos últimos 120 anos.

A exposição será apresentada no Bozar, em Bruxelas, no primeiro semestre de 2021, seguindo, no segundo semestre, para o Centro de Criação Contemporânea Olivier Debré, na cidade francesa de Tours, no âmbito da Temporada Cruzada Portugal-França.

Sobre esta iniciativa, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, citada no comunicado oficial, afirma: “Em pleno século XXI, ainda nada está consolidado na igualdade de género. É fundamental, por isso, prosseguirmos com iniciativas e programas que invertam, contrariem ou reequilibrarem o histórico apagamento a que as artistas mulheres e as suas produções estiveram desde sempre sujeitas”.

A realização do inventário será complementada com o estudo, investigação, conservação, interpretação e exibição do espólio da artista, constituído por cerca de 2.000 peças que atravessam toda a sua carreira artística, nas áreas de desenho, pintura, azulejo, ilustração, mobiliário e tapeçaria, bem como documentação de arquivo e correspondência. Maria Keil nasceu em Silves em 1914 e morreu aos 97 anos.

Casou com o arquiteto Francisco Keil do Amaral e com ele, fez a conceção de várias estações do Metro de Lisboa, nos anos 50 e 60.

Tem um livro editado nas edições Chandeigne, em Paris: “Les trois pommes”. Uma série ilustrada, com 44 páginas, que conta a história de um rapaz que tinha três maçãs e que as quer oferecer aos amigos como prova de amizade. Mas como não tem maçãs para todos…

 

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