Lusa | Nuno Veiga

Francês Alexis Guérin é o vencedor da 87ª edição da Volta a Portugal em Bicicleta


O francês Alexis Guérin (Anicolor-Campicarn) confirmou ontem a conquista da Volta a Portugal em bicicleta, ao ser oitavo na 10ª e última etapa, vencida ao sprint por Rui Oliveira (UAE Emirates) na Avenida dos Aliados, no Porto.

Um ano depois de ter ficado imediatamente atrás do bicampeão Artem Nych, o gaulês inverteu agora os lugares com o colega de equipa, deixando o russo na vice-liderança, a 01.02 minutos, enquanto Pedro Silva (Feira dos Sofás-Boavista) foi terceiro da geral, a 4.30.

A derradeira tirada da 87ª edição da Volta a Portugal foi vencida pelo Campeão olímpico de madison Rui Oliveira, que cumpriu os 136,9 quilómetros entre a Maia e o Porto em 03:06.35 horas, à frente do espanhol Daniel Cavia (Burgos Burpellet BH) e de Francisco Campos (Tavira-Crédito Agrícola), segundo e terceiro, respetivamente.

Alexis Guérin considera-se “um homem simples” que foi ‘seis’ num clube de futebol local, em Libourne (33), até enveredar pelo ciclismo aos 16 anos, construir uma carreira profissional e tornar-se ‘número um’ da 87ª Volta a Portugal em bicicleta.

“Sou uma pessoa simples. Gosto de passar tempo com a minha mulher, de comer bem, de me encontrar com amigos”, apresenta-se à Lusa o corredor que conquistou a camisola amarela com na Torre, em 09 de agosto, e segurou-a de vez na Senhora da Graça, de camisola negra, em memória de Finlay Tarling, corredor britânico que morreu na etapa de sexta-feira, em acontecimento inédito na história da Volta.

Nascido em 06 de junho de 1992, em Libourne, a cerca de 35 quilómetros de Bordeaux, Alexis Guérin sabe que aprendeu a andar de bicicleta entre os dois e os três anos, mas a ‘porta’ para o ciclismo profissional abriu-se bem mais tarde, quando estava prestes a completar 17 anos.

O futebol foi o desporto que o ocupou pelo meio, no clube da cidade natal, embora tivesse a noção de que as suas capacidades lhe permitiam, no máximo, disputar a quarta divisão francesa.

Enquanto médio defensivo, Alexis Guérin distinguia-se pela resistência física em campo, característica de que se socorreu no final da adolescência, quando uma lesão numa perna o afastou da ‘bola’ e o encaminhou para a bicicleta, como meio de recuperação.

O contacto frequente com um amigo de infância que praticava ciclismo encaminhou-o para uma modalidade onde poderia aplicar a sua resistência física

Seis meses depois de começar a sério nas duas rodas, Alexis Guérin integrou a Seleção francesa de juniores e, mais tarde, foi sub-23 na FDJ, La Française des Jeux, onde também militava Thibaut Pinot, vencedor de três etapas na Volta a França, e na Etixx, formação que, em 2014, desenvolvia os jovens da Omega Pharma-Quick Step.

Sem possibilidade de vingar no WorldTour, o ciclista da Aquitânia participou em centenas de provas do escalão continental europeu, o terceiro da União Ciclista Internacional (UCI), conquistando a Volta à Alta Áustria, ao serviço da austríaca Vorarlberg, em 2021, e uma etapa na Semana Internacional Coppi e Bartali, em 2023.

Após uma conversa com Rúben Pereira, Diretor desportivo da Anicolor-Campicarn, o francês decidiu rumar a Portugal, um país com “muito boas pessoas” e “um ambiente latino” que lhe agrada, para vencer o Grande Prémio Anicolor e o Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela em 2025, antes de se preparar com mais rigor para a Volta de 2026.

Mais fresco do que na edição transata, em que fora batido por Nych, Alexis Guérin impôs-se na Torre com diferenças superiores a 01.40 minutos para todos os concorrentes, seguiu à risca o princípio de “comer bem e dormir bem” antes de qualquer etapa e comprovou ser o mais forte da corrida ao vencer no alto do Monte Farinha.

Consagrado no Porto como vencedor da corrida mais longa do ciclismo, à exceção das ‘três grandes’ Voltas, Alexis Guérin promete trabalhar para os colegas nas provas que restam em 2026, enquanto conjuga rotinas profissionais e pessoais em Pau, nos Pirinéus, onde vive há nove anos.

Além dos treinos, Alexis Guérin faz questão de levar o filho à escola numa bicicleta equipada para dois lugares e aprecia imenso o tempo passado com o filho e a filha, tal como com a esposa, de nacionalidade portuguesa.

“O ciclismo era uma boa opção para as minhas características e para a minha cabeça. Tenho muito presente o sentido de equipa, mas também de trabalhar individualmente. O ciclismo precisa de uma equipa para ganhar, mas se não trabalhares e não estiveres forte não podes ganhar. Precisas de talento, mas também de uma equipa para poder ganhar”, sentencia.

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

Não perca

Volta a Portugal: Guérin vence na Senhora da Graça e encaminha-se para o triunfo final

O ciclista francês Alexis Guérin (Anicolor-Campicarn)

Ivanovic emprestado pelo Benfica ao Lens até final da época

O avançado croata Franjo Ivanovic reforça