O pianista e compositor franco-brasileiro Arnaud Roulin prepara-se para lançar, no dia 28 de agosto, o seu novo álbum, “Voyage Pentatonique”, editado pela Lying Lions Productions. Dois dias depois, a 2 de setembro, o músico apresentará este trabalho ao vivo no Studio de l’Ermitage, integrado na programação do Festival Jazz à la Villette, um dos eventos mais importantes do calendário jazzístico parisiense.
Depois do impacto crítico de “Massage for Piano”, o seu primeiro álbum, Arnaud Roulin regressa com uma obra que descreve como “uma peça de câmara cósmica para piano e orquestra sinfónica”. A expressão, aparentemente paradoxal, traduz bem o universo que o compositor tem vindo a construir: uma música que parte do piano clássico, atravessa a improvisação jazzística e mergulha em paisagens eletrónicas de grande amplitude emocional.
Radicado entre Paris e Rio de Janeiro, Arnaud Roulin tem desenvolvido uma carreira marcada pela transversalidade. Colaborou com artistas como Koudlam, Jeanne Added, Laurent Bardainne ou Thomas de Pourquery, nomes que representam diferentes vertentes da criação contemporânea francesa. Essa diversidade reflete-se na sua escrita musical, que convoca tanto a tradição pianística europeia como a herança dos sintetizadores analógicos, a liberdade do jazz e uma forma de contemplação sonora que remete para o chamado “easy listening” atmosférico, mas com uma profundidade que ultrapassa qualquer rótulo.
Em “Voyage Pentatonique”, Arnaud Roulin explora a ideia de viagem como metáfora artística. A escala pentatónica, presente em múltiplas tradições musicais do mundo, serve de ponto de partida para uma obra que procura o encontro entre o rigor da composição e o imprevisto da improvisação. O músico assume que o álbum nasce de uma vontade de reencontrar “o acidente, o desconhecido acolhido e o acaso bendito”, numa época em que a inteligência artificial e os automatismos parecem reduzir o espaço do inesperado na criação artística. A sua música, pelo contrário, reivindica o risco, a surpresa e a organicidade.
O álbum foi produzido por Thomas de Pourquery, figura central da cena jazz francesa, e contou com a colaboração de Nicolas Villebrun, especialista em síntese sonora e máquinas analógicas. A captação ficou a cargo de Thomas Rasoanaivo, enquanto a mistura foi assinada por Guillaume Jay, dois engenheiros de som que têm marcado a nova geração de produção musical em França. Esta equipa contribuiu para a construção de uma sonoridade que combina densidade, minimalismo e uma espécie de espiritualidade eletrónica.
O concerto de apresentação, marcado para o Studio de l’Ermitage, no 20º arrondissement de Paris, promete uma experiência imersiva. O espaço, conhecido pela sua proximidade com o público e pela qualidade acústica, é o cenário ideal para a estreia desta “orquestra sinfónica minimalista e orgânica”, como o próprio Arnaud Roulin descreve. Integrado na secção “Under the Radar” do Jazz à la Villette, o espetáculo deverá atrair tanto amantes do jazz contemporâneo como público interessado em novas formas de música de câmara e eletrónica.
O álbum e o concerto de apresentação revelam um artista que procura, acima de tudo, expandir o território do piano, cruzando-o com máquinas, texturas sintéticas e uma imaginação sonora que se move entre o íntimo e o cósmico.







