Na noite do dia 8 para dia 9 de abril de 1918, a Alemanha lançou um ataque contra as forças Aliadas, na frente ocupada pelo Corpo Expedicionário Português (CEP), na Flandres francesa. A ofensiva tem vários nomes: para os Alemães é a Operação Georgette, para os Franceses é a quarta batalha de Ypres e para os Portugueses é a Batalha de La Lys.
Portugal chegou tarde à I Guerra mundial. O Corpo Expedicionário Português era composto por 55.000 soldados, mas nem todos chegaram a França. Os primeiros desembarcaram em Brest, no dia 2 de fevereiro de 1917.
Depois de uma formação feita pelas forças britânicas em Aire-sur-La-Lys, os soldados portugueses foram enviados para a linha da frente. E ficaram na linha da frente, entrincheirados, durante cerca de… 9 meses. Todas as outras companhias ficavam apenas um ou dois meses na linha da frente e depois recuavam para descansar. Os Portugueses ficaram mais tempo porque não tinham soldados de “reserva” para os substituírem (porque não chegaram todos os soldados do CEP).
A situação política em Portugal era instável. Não estava a ser fácil governar o país durante a I República. Em França, os oficiais e os soldados sentiram-se abandonados.
Passar um inverno enterrados na lama das trincheiras foi muito difícil para os soldados portugueses. Primeiro porque eram jovens e uns meses antes eram simples agricultores no interior do país. Por outro lado, porque não estavam habituados ao frio glacial do norte da França.
Quando os Britânicos se aperceberam (!) que os Portugueses estavam cansados, doentes e moralmente frágeis, fizeram de imediato recuar a 1ª Companhia portuguesa. A 2ª Companhia devia ser substituída precisamente no dia… 9 de abril.
A 2ª Companhia era comandada pelo General Gomes da Costa – que mais tarde foi Presidente da República – mas era praticamente impossível resistir ao ataque surpresa das forças alemãs, comandadas pelo General von Quast. Quando uma força lança uma ofensiva militar é porque tem a certeza de estar em condições de a ganhar. Neste caso, havia um diferencial de forças desfavorável aos Portugueses: eram quase 5 soldados alemães para 1 soldado português. E as forças alemãs utilizavam, pela primeira vez numa guerra, gás mostarda.
Há 102 anos, neste dia 9 de abril, a madrugada estava fria, havia nevoeiro, os soldados portugueses estavam prontos para recuar, quando o ataque começou por volta das 8 horas da manhã.
O Corpo Expedicionário Português teve cerca de 7.000 baixas, entre mortos, feridos, desaparecidos e muitos prisioneiros.
Foi a maior derrota militar portuguesa – depois de Alcacer Quibir, onde perdemos o Rei D. Sebastião – mas Portugal não perdeu a Guerra, pelo contrário, os Aliados – dos quais Portugal fazia parte – venceram a I Guerra Mundial.
Para agradecer a Portugal, há uma avenida em Paris – perto do Arco do Triunfo – chamada Avenue des Portugais.
Em Richebourg, no Norte, está o Cemitério Militar Português, com 1.831 soldados, e no Cemitério de Boulogne-sur-Mer há um Talhão português com 44 campas. Há mais campas portuguesas em vários cemitérios da região e em La Couture há um monumento ao soldado português.
Há dois anos, as comemorações do Centenário da Batalha de La Lys contaram com a presença dos Presidentes da República de Portugal e da França, respetivamente Marcelo Rebelo de Sousa e Emmanuel Macron.
Este ano, a pandemia do Covid-19 pregou uma partida aos soldados portugueses sepultados em Richebourg e as comemorações foram canceladas.
Mas durante toda a semana, o LusoJornal tem publicado uma série de textos evocativos da participação dos Portugueses na I Guerra Mundial.
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Bom dia. Venho de chegar ao grupo e fiquei “contente” de ler estas informações sobre a batalha de La Lys . O meu bisavô fez parte destes valentes soldados…. Quando miúdo, não tive grande curiosidade sobre a 1a guerra mundial, a curiosidade começou a crescer quando ele faleceu, tinha eu 10 anos e vivia em Moçambique, longe da família que poderia dar-me informações., e para mim, os avós durariam muitos anos Depois do 25 de Abril e de regresso a Portugal, pedi a minha bisavó que me falasse do meu bisavô que me contou um pouco da sua vida na aldeia e das duas batalhas que ele fez e sobreviveu. Partiu como jovem soldado, no distrito de Viseu e voltou apenas 7 anos depois, sem nada, descalço, roupa de mendigo, entrando na aldeia pelo seu pé…., nunca ninguém, inglês, francês ou português, que pertencesse ao governo, se interessou de mandar uma cartinha de reconhecimento a este simples homem, o meu Bisavô, o “Zé da Arminda”. Obrigado me bisavô.
Queria aqui deixar relatos daqueles que viveram a guerra nas trincheiras: na batalha do ‘Empereur’ 21 de Março de 1918, Ludendorff (general alemão), em 14 dias avança de 60 km, no dia 27 de Maio de 1918 ‘Chemin des Dames’, Ludendorff, em 3 dias avança de 40 km, e finalmente no dia 9 de Abril de 1918, Ludendorff (general alemão) apenas avançou de 8 km. Ludendorff, não se deu por sastisfeito com os resulaltados obtidos a 9 de Abril de 1918.
Se o cidadão português o disse e continua dizer que o 9 Abril, foi desastre, foi, e é, da culpa daqueles que o domesticou.
E, é isto que é preciso rebater : os soldados da 2ª Divisão Portuguesa, demostraram a evidência que se bateram com bravura e com honra “Porque nasceram em Portugal”.
Os jornais; Times e Daily Mail a 11 e 12 de Abril de 1918 prestaram homenagem à bravura das brigadas portuguesas, mas o cidadão português continua a chamar-lhe o desastre do 9 de Abril.
Os jornais O Matin e o Telegramme, referem-se ao valor dos portugueses que se bateram nas Flandres, mas o cidadão portguês continua a chamar-lhe o desastre do 9 de Abril de 1918.
Enfim… Ludendorff, disse-o bem alto contra o epiteto de desastre dado à Batalha de “la Lys” pelos patriotas portugueses deste pequeno país da Europa que se batarem com bravura.
Ludendorff (general alemão) “Souvenirs de Guerra” e Gomes da Costa (general português) “Batalha do Lys”, não acham que houvesse “DESASTRE” nesse dia para os Portugueses.
É curioso que ambos sem se conhecerem, nenhum deles fala de desastre português!
Seria muito natural que os políticos em Portugal acabem por combencer-se – mesmo 102 anos depois – de deixar este assunto aos que tomaram parte nesta batalha que só a eles pertencia explanar.
“Que a ninguém fique dúvidas sobre o destino que uma Divisão Francesa, Inglesa ou Americana teria no dia 9 de Abril se estivesse onde esteve a 2ª Divisão Portuguesa.
Quem lá estivesse seria esmago atropelado e…varrido (in A Grande Guerra… A Batalha do Lys (1923), p.45, Ferreira do Amaral, Major de Infataria)”.
A 6 de Abril de 1918, a 2ª divisão portuguesa do CEP é informada que estava agora ligada ao XI corpo da Inglaterra (general Haking), e desaparecia assim como Corpo de exército.
Ao comando do CEP, general Tamagnini de Abreu ao ser informado diz ; passo de cavalo para burro!!!
Dos 721 oficiais e 20.359 homens das forças armadas portuguesas, que o exército alemão do general Ludendorff apenas conseguiu lançar a mão a 327 oficiais e de 7.500 entre os mortos, feridos e prisioneiros.
Se para muitos políticos portugueses – que só respiram política – da época ou ainda hoje, disseram e continuam ainda a dizer, que o 9 de de Abril foi un desastre!
TODOS OS SOLDADOS DERAM MUITO, E MUITOS DERAM TUDO
(in General F.Tamagnini : A 2a Divisão Portuguesa na Batalha do Lys por Major Vasco de Carvalho=O soldado português tem magnificas qualidades de Adaptação , de Resisitência e Valentia