A saudade
Olhar para trás e querer voltar,
Se algum dia for capaz,
Galgando preconceitos,
Aproximando-me dos meus feitos.
Quem me dera, apesar do medo, voltar a sentir:
Os cabelos ao vento, o estendal sobre a brisa com alento.
Percorrer os campos de trigo no verão, sentir o calor da tua mão.
O lume na lareira adormecido pelo inverno, o azul do dia sempre eterno.
Os olhos deliciando as laranjeiras em flor e devorando as cearas de esplendor.
O sentir do peso dos sacos de pinhas, mas também a beleza das andorinhas.
O saudoso cheiro da barra de sabão e até da missa, o belo sermão.
A agitação do 25 de Abril, e esperanças mil.
Garrett, Pessoa e os cantos de Camões, a luz da candeia, todos os serões.
Quisera fugir deste marasmo incoerente,
Fugir e não mais vir,
Libertando-me deste presente!
Mas a ganância de ser alguém
Levou-me a ser ninguém.
Estranha saudade lusa,
Deixas-me tão confusa!
Com o desalento
Que toca cá dentro.
[pro_ad_display_adzone id=”24612″]







