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Há um velho ditado francês que diz que “On n’est jamais mieux servi que par soi-même”. Ainda não encontrei o equivalente em português, mas aposto que deve existir, porque muitas vezes estamos à espera que outros façam por nós aquilo que só nós fazemos bem.

 

E porque razão vos digo isto hoje?

É por causa das eleições presidenciais portuguesas.

Estamos a meio ano das eleições presidenciais em Portugal e, para já, há 8 candidatos anunciados, mesmo se o mais provável é que Marcelo Rebelo de Sousa volte a candidatar-se e ganhe as eleições.

Mas aquilo que me traz aqui hoje é que eu acho que as Comunidades portuguesas deviam apresentar também um candidato.

Se nós considerarmos que há dez milhões de Portugueses em Portugal e pelo menos 5 milhões de Portugueses nas Comunidades, isto por si só já é razão suficiente. Tomara alguns Partidos políticos representarem tanta gente.

– E para falar de quê? Perguntarão os mais céticos.

– Para falar!

Tendo em conta o apagão que há em Portugal em matéria de Comunidades, falar já era uma excelente coisa. Levar as Comunidades para a praça pública.

Eu já lancei este desafio a alguns amigos à minha volta, mas eles consideram-se sem capacidades para uma eleição presidencial. É um falso problema, sobretudo olhando para alguns dos pré-candidatos… Coitados, qualquer um de nós pode ser candidato à Presidência da República e beneficiar da tribuna que é a campanha eleitoral.

Para mais, a candidatura tem a característica de ser individual, isto é, não necessita de Partidos políticos, que sempre dividem mais do que federam.

Seria uma candidatura para ganhar? É claro que não, como aliás quase todas as candidaturas. E ainda bem, porque há candidatos que, se ganhassem, o país estaria desgraçado.

Mas seria uma candidatura para denunciar, para levar os problemas dos serviços consulares, para explicar porque razão o voto eletrónico é a solução para as Comunidades, para denunciar a falta de professores de português no estrangeiro e para lembrar que o movimento associativo, mesmo sem meios, fez mais pela promoção de Portugal no estrangeiro do que muitas estruturas com meios.

Ah… por falar de meios… uma campanha necessita de meios, tem custos, é verdade, mas com tantos emigrantes de sucesso, com tanta gente que gosta de se mostrar e de dizer que tem dinheiro, aqui está uma boa oportunidade de investir na sua própria imagem, apoiando uma candidatura das Comunidades.

Eu confesso que gostava que tal acontecesse e que o candidato até desse algumas calinadas em português. Sempre seria mais engraçado do que alguns que, por snobismo, nos lançam fórmulas em inglês, como se fosse mais chique falar inglês do que “frantuguês”.

Lembrem-se que “on n’est jamais mieux servi que par soi-même”.

Mas esta é apenas a minha opinião!

 

Esta crónica do jornalista Carlos Pereira, Diretor do LusoJornal, é difundida todas as semanas, à quinta-feira, na rádio Alfa, com difusão antes das 7h00, 9h00, 11h00, 15h00, 17h00 e 19h00.

 

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