Opinião: O Tratado da Gratidão de S. Tomás de Aquino tem três níveis de gratidão


No dia internacional de «Obrigada»/«Obrigado», celebrado na semana passada, e para entender essa palavra, veio-me à cabeça o Tratado da gratidão de S. Tomás de Aquino que tem três níveis de gratidão: o nível mais superficial, o nível intermédio e o nível mais profundo.

O nível mais superficial é o nível do reconhecimento, do reconhecimento intelectual, o nível cerebral, o nível cognitivo do reconhecimento. O segundo nível é o nível do agradecimento, de dar graças a alguém por aquilo que esse alguém fez por nós e o nível mais profundo do agradecimento, é o nível do vínculo, é o nível do sentirmos vinculados e comprometidos com essas pessoas.

Lembrei-me do professor António Nóvoa salientando que em inglês ou em alemão se agradece ao nível mais superficial da gratidão, quando se diz «Thank you» ou quando se diz «Zu Danken» estamos a agradecer no plano intelectual, que na maior parte das outras línguas europeias, quando se agradece, agradece-se no nível intermédio da gratidão.

Quando se diz «Merci», em francês, quer dizer, dar uma mercê, dar uma graça: eu dou-lhe uma mercê, estou-lhe grato, dou-lhe uma mercê por aquilo que me trouxe, por aquilo que me deu ou «Gracias» em espanhol ou «Grazie» em italiano: dou-lhe uma graça por aquilo que me deu e é nesse sentido que eu lhe agradeço, é nesse sentido que lhe estou grato.

E que só em português é que se agradece com o terceiro nível, o nível mais profundo do tratado da gratidão: nós dizemos «Obrigada» ou «Obrigado». E «obrigado» quer dizer isso mesmo: fico-vos obrigado, fico obrigado perante vós, fico vinculado perante vós, fico-vos comprometido a um diálogo, agradecendo-vos a vossa atenção.

Fico sim vinculada a continuar esse diálogo e é nesse preciso sentido que vos digo «Muito Obrigada», vós, leitores do LusoJornal.