Opinião: Rui Rio e as verdades e mentiras sobre a anulação dos votos

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A repetição das eleições no círculo eleitoral da Europa criou desânimo nas Comunidades, sobretudo aqueles que votaram com o entusiasmo da primeira vez e viram o voto anulado. Não compreendem bem o que aconteceu, mas sabem que o seu voto foi para o lixo e consideram isso uma desconsideração, o que é compreensível.

Seja como for, é absolutamente fundamental recuperar a confiança dos nossos compatriotas, desde logo assumindo, de forma clara, o compromisso de alterar a lei eleitoral, para que uma situação como a que ocorreu nunca mais volte a acontecer. Era o que estava já previsto, de resto, não fosse o caso de o Parlamento ter sido dissolvido.

Por isso, é importante falar aos que pensam abster-se. Incentivá-los a votar, porque é o seu voto que dá voz e poder às Comunidades, para que a sua representação ganhe força na Assembleia da República e no país.

Nesta disputa há agora três partidos, que são os dois que elegem Deputados e um que acha que pode roubar o Deputado ao PSD. O PSD, entretanto, se já temia perder o seu eleito, tem agora razões para estar mais inquieto, muito particularmente porque caiu muito mal esta obsessão pela anulação dos votos sem a cópia do Cartão do Cidadão.

Daí que o Presidente demissionário do PSD tenha tido de se fazer à estrada para evitar que o pior aconteça. Não precisava, no entanto, de perder a elegância e desatar a fazer acusações infundadas, muito longe da verdade e da realidade.

Sem fornecer nenhum tipo de explicações, Rui Rio diz apenas que o PS mente, sem adiantar outros argumentos, para não cair em contradição.

É claro que é muito pesado ter de arcar para sempre com o fardo da responsabilidade de ter anulado 80 por cento dos votos e com a repetição das eleições no círculo da Europa, o que nunca aconteceu na história da nossa democracia. Ainda para mais num contexto de crise pandémica, política e agora também de guerra.

E onde falta à verdade e manipula o PSD para encobrir as suas responsabilidades? Quando diz que os representantes do PS nas mesas de contagem misturaram os votos, o que é totalmente impossível, dado que elas são compostas por representantes de todos os partidos, que se fiscalizam uns aos outros. É tão óbvio que se percebe bem que não tem grandes argumentos para sua defesa.

Por isso é tão surreal e um péssimo serviço à democracia Rui Rio ter apresentado uma queixa-crime contra sete centenas de membros das mesas, incluindo muitas dezenas que foram indicados pelo PSD e que também votaram favoravelmente os procedimentos de validação dos votos no início dos trabalhos.

Mesmo ignorando o facto de as mesas serem soberanas nas suas decisões, por serem órgãos independentes da administração eleitoral, e de várias delas, inclusivamente, terem sido presididas por representantes do PSD, que concordaram com os procedimentos de validação dos votos e seguiram de boa-fé orientações da Comissão Nacional de Eleições, há uma questão que merece esclarecimento e desmascara os argumentos de Rui Rio.

É que os segundos protestos apresentados pelo PSD para a separação dos votos foram feitos já muito depois de eles terem sido colocados nas urnas, no final do dia, e esses foram validados (houve um primeiro protesto do PSD mal feito logo no início das contagens). Com efeito, a Assembleia de Apuramento Geral confirmou a decisão de algumas mesas de contagem de rejeitar o protesto do PSD para anulação dos votos “com fundamento na extemporaneidade do protesto considerando que todos os votos já tinham sido introduzidos em urna, sendo fisicamente impossível a distinção entre os votos”, como se lê na respetiva ata. Como esses protestos foram todos apresentados ao mesmo tempo em todas as mesas, Rui Rio não pode acusar ninguém e só o faz porque está de má fé em toda esta questão.

Por isso, não é ninguém do PS que mente, distorce ou manipula. Um verdadeiro líder é aquele que não falta à verdade, que é honesto, que sabe assumir as suas responsabilidades, e age alicerçado nos valores da democracia, respeito e humildade. Pelo contrário, porém, aquilo que revela o comportamento de Rui Rio é vontade de vingança, rancor e dificuldade em aceitar as derrotas.

 

Paulo Pisco

Candidato, cabeça de lista do PS pelo círculo eleitoral da Europa

 

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