“Estive junto dos nossos e assim será sempre”. Foi desta forma que o Secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, se referiu a alguns comentários que surgiram na sequência da sua deslocação à Venezuela, para encontros com a Comunidade e reuniões de natureza institucional.
O líder do PS falava no encerramento do XXV Congresso, que decorreu em Viseu e referia-se aos portugueses que estão mais distantes das atenções do poder político, mas o mesmo vale para os que se sentem abandonados no interior do país e, muitas vezes, na periferia das grandes cidades.
Em resposta a algumas críticas e incómodos, onde não deixa de haver alguma indiferença relativamente às Comunidades portuguesas e também algum desconhecimento sobre a atual situação na Venezuela, o líder do PS explicou que a sua deslocação teve como principal objetivo exigir às autoridades a libertação dos detidos políticos e a proteção da Comunidade luso-venezuelana. E referiu logo de seguida os países por onde passou nos últimos meses, em Angola, no Canadá, em França, na Bélgica, na Suíça, sempre com os portugueses na agenda. E concluiu desta forma tão expressiva: “Estarei sempre mais perto de quem está mais longe”.
O líder do PS reiterou assim o seu compromisso claro com as Comunidades.
Não haveria dúvidas sobre isso, mas afirmá-lo num Congresso partidário assume um outro nível de compromisso, porque comprova que os portugueses residentes no estrangeiro e os lusodescendentes têm a mesma consideração que qualquer outra política nacional.
De resto, o seu trabalho de proximidade enquanto Secretário de Estado das Comunidades fala por si e é bem reconhecido por todos. Como futuro Primeiro-Ministro, se os portugueses lhe derem essa oportunidade, José Luís Carneiro mudará, de certeza, o paradigma da relação entre Portugal e a sua diáspora.
O seu discurso de encerramento constitui um verdadeiro roteiro para a transformação do país, que precisa de um impulso reformista ousado em todas as áreas, que tenha os valores do humanismo, da justiça e do progresso económico, social, científico e cultural, como bússola da ação política, tanto a nível nacional como no domínio internacional e na diáspora. O multilateralismo, o respeito pelo direito internacional e a Carta das Nações Unidas são pilares essenciais da ordem mundial de cuja defesa nunca abdicará.
Ninguém ficará para trás, muito particularmente os jovens, que precisam de sentir a esperança de que podem ter em Portugal um bom futuro, sem precisarem de emigrar. Como referiu, a juventude é o coração pulsante de uma nação, que nunca poderá prosperar se os jovens forem abandonados “à dependência, ao desencorajamento ou à emigração”. Não há outra forma de perspetivar o futuro, não obstante os muitos fatores de incerteza na ordem internacional que teima em não deixar a guerra.
Como fez questão em sublinhar, “ninguém se pode conformar com a pobreza, com a falta de casas para morar, com empregos mal pagos, com a desigualdade”, disse, reforçando a sua preocupação em resolver dois problemas centrais na sociedade portuguesa: o dos jovens e o do acesso à habitação, duas coisas interligadas. E por isso mesmo deixou a promessa de uma estratégia nacional que garanta, no prazo de dez anos, acesso universal a habitação condigna.
Portugal precisa de estabilidade, de diálogo, de criar pontes e não de estar mergulhado em instabilidade, tensão e crises políticas. Nenhum país avança se estiver constantemente a interromper legislaturas. Nenhuma democracia se constrói na instabilidade.
Portugal precisa de alguém que seja de confiança e que inspire confiança.
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Paulo Pisco
Diretor do Departamento de Comunidades do PS
Ex-Deputado eleito pela emigração na Europa






