Portuguesa Vera Poeta comprou um palacete e reabre a ‘Hostellerie du Parc’ em Liancourt

A empreendedora portuguesa Vera Poeta inaugurou na semana passada o renovado palacete “Hostellerie du Parc”, em Liancourt (60), a cerca de 50 quilómetros a norte de Paris, logo depois de Chantilly. O edifício, que estava fechado há quatro anos, volta agora a ganhar vida como espaço de receções, alojamento e eventos. “Comprei este espaço porque já tinha uma sociedade de eventos e muitos pedidos para salas de receção”, explicou ao LusoJornal, sublinhando que a sua clientela “há muito reclamava um lugar próprio”.

Vera Poeta explica que a decisão de investir neste projeto surgiu de forma natural. Já organizava casamentos, batizados e festas corporativas, com serviço completo – “desde a louça à comida, das decorações ao serviço” – e sentia que faltava apenas um espaço fixo. “Os clientes pediam-me para privatizar salas, mas dependíamos sempre de terceiros. Agora posso conciliar tudo num só lugar”, afirmou. Mas vai continuar a trabalhar também para fora.

Vera Poeta é natural de Arouca, distrito de Aveiro, mas vive em França há 18 anos. Recordou que, ainda em Portugal, já trabalhava na restauração por conta própria. Em França, começou no mesmo setor até criar, há uma década, a sua própria empresa de eventos. “Fui fazendo este percurso sempre, largando aos poucos outras atividades até chegar aqui”, disse, acrescentando que mantém uma relação forte com Portugal, sobretudo no mês de agosto, “o único em que conseguimos tirar uns dias de férias”.

A “Hostellerie du Parc” situa-se numa pequena vila entre Chantilly e Senlis, “longe da confusão”, como descreve a empresária. Já era restaurante e hotel, mas estava encerrada há quatro anos. “Fizemos obras e vamos continuar com o que era funcional. As pessoas procuram calma, segurança, um lugar para estar em família”, explicou.

O edifício tem 14 suítes (que necessitam de renovação), sala de receções, zona de refeições, cafeteria, e sobretudo jardins amplos e estacionamento privativo. Há ainda uma tenda profissional para refeições exteriores. “A meteorologia não ajudou neste dia de inauguração, mas o exterior não vai ficar assim”, garantiu.

O local tem também valor patrimonial. Vera Poeta recorda que “Luís XIV passou aqui e inspirou-se nos jardins para Versailles”, e que o palacete conserva gravuras da família Rochefoucauld. Por respeito para com a história e a vila, manteve o nome tradicional: “Hostellerie du Parc”.

Vera Poeta – e Poeta é mesmo o nome da empresária – explica que trabalha “com toda a gente”, desde particulares a empresas, e que se esforça por responder às necessidades de diferentes culturas gastronómicas. “Estamos num país onde temos que lidar com isso tudo”, afirmou.

Antes de adquirir o palacete, trabalhava num laboratório de produção, onde confecionava as refeições, sem espaço para receber clientes. “Os clientes alugavam as salas e nós íamos onde fosse preciso, fazer a decoração e servir a refeição”, recordou.

No dia da inauguração juntou cerca de 400 pessoas, desde famílias com quem já tinha trabalhado para batizados, casamentos e outras festas, mas também empresários clientes.

Entre os presentes estava Ivo Vieira, cliente e amigo de longa data. Disse ao LusoJornal que conheceu Vera Poeta “há bastantes anos”, quando ela trabalhava num restaurante. Desde então, mantiveram uma ligação próxima. Ivo contou que sempre acompanhou a evolução da empresária e que nunca encontrou “a mesma qualidade de trabalho noutras pessoas”.

Para ele, Vera Poeta tem um papel importante na Comunidade portuguesa em França, sobretudo por manter viva a gastronomia tradicional. “Tenho amigos de todas as nacionalidades e ficam sempre surpreendidos com os nossos pratos”, afirmou. Destacou ainda o sabor de casa: “Quando temos bifana, caldo verde ou bolinhos de bacalhau, traz sempre aquela lembrança de Portugal”.

Sobre o novo espaço, Ivo Vieira considera-o “agradável, com uma linda arquitetura”, e acredita que Vera Poeta “ainda vai fazer mais história neste pavilhão”.

Também presente esteve o empresário António de Carvalho, que conheceu Vera quando Poeta quando procurava uma chefe de cozinha para o seu restaurante em Goussainville. Contou que, logo no primeiro encontro, ele e a esposa sentiram “um feeling imediato”. Ambos partilham raízes do norte de Portugal – ela de Arouca, ele do Porto – e, como disse com humor, “somos portistas”!

António de Carvalho descreve Vera Poeta como “uma mulher trabalhadora, que segue sempre as suas convicções e não olha para trás”. Desde 2011 tornaram-se amigos e, mesmo depois de vender o restaurante, continuou a apoiá-la. Admira sobretudo a forma como ela preserva a gastronomia portuguesa, “incluindo os pratos antigos”.

Sobre o novo projeto, não tem dúvidas: “Eu sempre disse que ela tinha uma grande ambição e iria ter um grande espaço. Não me enganei”. Considera que o palacete tem “um potencial enorme”, com condições para evoluir até para um hotel totalmente funcional. “Estamos a um quarto de hora de Chantilly, uma vila histórica, e a uma hora de Paris. Hoje isso não é nada”, afirmou. Para ele, este é “um projeto fantástico, que vai ter muito futuro”.

No final da inauguração, onde não faltou música, Vera Poeta confessou que este dia foi sobretudo “para agradecer”. Quis reunir as pessoas que a acompanharam desde o início, “quando não tinha nada e comecei do zero”. Disse que muitos clientes foram fiéis ao longo dos anos e que, através deles, o seu trabalho chegou a novos públicos. “Foi um dia para dizer obrigada a todas essas pessoas que viram o meu combate e que me ajudaram”.

Quanto ao futuro, a empresária tem um desejo simples: “O sonho desta Poeta é que toda a gente se possa sentir bem nesta casa”. Quer que o espaço transmita calma e acolhimento. “Não necessariamente um ambiente fora de contexto. Adaptamo-nos a todas as pessoas, sempre com respeito. Quero que esta casa ajude as pessoas a aproveitar o momento”.

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