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Portugueses e Espanhóis deportados, foram homenageados em Angoulême

Durante uma cerimónia que teve lugar em Angoulême, no domingo passado, foi prestada homenagem aos 924 Espanhóis e aos 3 Portugueses que seguiram no primeiro comboio de deportados, no dia 20 de agosto de 1940, em direção do campo de concentração de Mauthausen, na Áustria.

A bordo seguiam Republicanos espanhóis exilados do franquismo, entre os quais estavam os Portugueses João Fernandes Ferreira de Adaufe, Braga, João Ribeira Sousa da Régua, Vila Real, e José Nunes Mateus de Ferrarias Cimeiras, Castelo Branco.

A comemoração é organizada todos os anos pela Associação dos Espanhóis de Charente. O Presidente Gregório Lázaro, na sua intervenção, prestou homenagem aos 927 Republicanos e acrescentou que pela primeira vez acolhiam uma Comitiva portuguesa porque foram identificados três Portugueses que seguiram nesse comboio e morreram como muitos Espanhóis em Mauthausen.

Desde o ano passado faleceram os dois últimos testemunhos deste comboio da morte, José Alcubierre et Francisco Gimenéz. «Eles sempre se implicaram nesta cerimónia» disse o Presidente da associação.

José Alcubierre morreu em janeiro depois de ter recebido as insígnias de Chevalier de la Légion d’Honneur. Francisco Gimenez tinha partido em dezembro. «Lembramos que ele se salvou graças à intervenção de um oficial alemão que o tirou da fila quando ele se despedia da na morada e da família desta».

Este ano, a Mairie d’Angoulême esteve representada por Stephanie Garcia em representação do Maire Xavier Bonnefond.

Stephanie Garcia, casada com um português, estava bastante admirada pela presença de Portugueses na lista dos 927 Deportados.

E este ano, pela primeira vez, estava presente uma delegação portuguesa. Paulo Marques, eleito em Aulnay-sous-Bois, e Jean-Pierre dos Santos, eleito em Andresy, representaram a associação Cívica, onde são, respetivamente, Presidente e Tesoureiro. Mas estava também Manuel Dias, Vice-Presidente do Comité francês de homenagem a Aristides de Sousa Mendes e Presidente do Rhami, e os representantes da Associação dos Portugueses de Angloulême.

Uma equipa internacional do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, coordenada pelo Professor Fernando Rosas, realiza desde 2013 uma investigação que tem como objetivo estudar as vítimas portuguesas do trabalho forçado do III Reich, tema até aqui ausente da agenda historiográfica nacional e internacional.

Foi atravez deste trabalho que a equipa identificou os três Portugueses que seguiam no comboio.

A equipa integra investigadores portugueses, espanhóis, franceses e alemães, o que permitiu alargar as investigações a arquivos destes países.

«A associação Cívica vai manter contactos no ambito das relações com a Associação dos Espanhóis de Charente, em prol do dever de memória, permitindo assim um elo de ligação entre a equipa de investigarores portugueses e as associações de familiares de deportados» explica o Presidente Paulo Marques.

O Presidente da Cívica diz que o próximo encontro vai ser em Lisboa com a exposição «Os trabalhadores forçados portugueses do III Reich» onde a equipa do Professor Fernando Rosas vai apresentar publicamente os resultados da investigação, nos dias 17 e 18 de novembro, com o apoio do Goethe Institut, da associação Cívica e das Embaixadas da Alemanha e da Áustria.

«O convite foi feito para que o Presidente da Associação Espanhola, Gregório Lázaro, participe neste evento» concluiu Paulo Marques ao LusoJornal.

A cerimónia teve lugar junto ao Memorial que está a dois passos da Gare d’Angoulême e acabou com um «Auberge Espagnol» tarde dentro.

LusoJornal