Lusa / Manuel Fernando Araújo

Presidenciais’26: “Também somos Portugueses” diz que resultados eleitorais da primeira volta “dão que pensar”


O movimento “TSP – Também somos portugueses” divulgou esta semana uma análise sobre os resultados eleitorais na primeira volta da eleição para o Presidente da República e resume que “a participação aumenta, abstenção mantém-se elevadíssima e resultados dão que pensar”.

“Com 72.756 votos, a votação em 18 de janeiro dos portugueses no estrangeiro na eleição do Presidente da República mais que duplicou relativamente à eleição de Marcelo Rebelo de Sousa em 2021, quando votaram 29.153 eleitores” começa por dizer o movimento num comunicado enviado às redações. “Esta participação em eleições presidenciais aconteceu apesar das dificuldades inerentes ao voto unicamente presencial. A distância aos Consulados é amiúde intransponível – por exemplo, os moradores na Islândia teriam de se deslocar à Noruega e os da Nova Zelândia à Austrália para votarem. O voto em mobilidade poderia ter sido utilizado, mas a Assembleia da República não legislou para o permitir. Alguns Consulados recusaram pedidos de criação de mais mesas de voto, apesar de esse desdobramento estar previsto na Lei”.

Por isso, “tais obstáculos fizeram com que a participação neste ato eleitoral, com voto presencial, fosse, apesar de importante, muito inferior à que se registou nas eleições para a Assembleia da República em 2025, que, graças ao voto postal, contou com o quíntuplo dos votantes”.

Desta situação, o movimento “TSP – Também somos portugueses” conclui que “confirma-se uma vez mais que o voto apenas presencial não serve os portugueses no estrangeiro. A única alternativa é mesmo o voto digital (voto eletrónico remoto)”.

A associação “TSP – Também somos portugueses” acredita que o voto digital “poderá contribuir significativamente para a redução dos alarmantes níveis de abstenção que continuam a verificar-se mesmo quando os Consulados estão perto. A TSP tudo fará para que o voto digital no estrangeiro seja adotado durante a presente legislatura”.

Mas também foi analisado o sentido do voto. No comunicado, o movimento considera que o sentido de voto da maioria dos portugueses residentes no estrangeiro nesta eleição presidencial “devia dar muito que pensar ao Governo, à Assembleia da República e à sociedade em geral, que deveria interpretá-lo também como um sinal claro de descontentamento”.

“Os principais problemas com que se debatem as Comunidades portuguesas são sobejamente conhecidos: ensino insuficiente da língua portuguesa; serviços consulares distantes e caros; dupla tributação dos reformados; apoios insuficientes aos reformados que desejem regressar a Portugal ou que aí permanecem por longos períodos, nomeadamente o acesso aos centros de saúde; obstáculos ao exercício do direito do voto” lê-se no comunicado e os dirigentes deste movimento consideram que todos estes problemas “exigem medidas vigorosas que tardam a chegar”.

“Acresce que os portugueses residentes no estrangeiro não se preocupam apenas com os seus próprios problemas, mas também com os que afetam os seus familiares e as suas Comunidades de origem em Portugal. São, por isso, sensíveis e permeáveis à visão do país que lhes é transmitida pelos seus próximos, pelos canais televisivos e pelas redes sociais. Também estes elementos terão de ser tidos em conta na análise do sentido do voto das Comunidades portuguesas que os governantes venham a fazer”.

A TSP, associação cívica internacional focada na melhoria dos serviços prestados pelo Estado Português aos portugueses no estrangeiro, diz que continuará a contribuir para uma participação cívica e política cada vez mais ativa dos portugueses na diáspora e a trabalhar, com as autoridades portuguesas, para encontrar soluções para os problemas que os afetam.

“As leis eleitorais portuguesas estão ultrapassadas e urge alterá-las para as adequar aos tempos modernos”. Preocupada com esta questão, a TSP tem apresentado regularmente propostas com vista a melhorar o processo eleitoral.