Um livro por semana: «Varanda de Paris», de António Neves Leal

António Neves Leal vive nos Açores, sua terra natal. Nos anos 70 foi o primeiro Diretor da Secção Portuguesa do Lycée International de Saint Germain-en-Laye. No dia 25 do passado mês de maio, esteve presente nas comemorações do 20° aniversário da Secção Portuguesa do Collège Pierre et Marie Curie, em Le Pecq, nos arredores de Paris.

Depois de ter realizado estudos secundários em Angra do Heroismo e estudos universitários em Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa, António Neves Leal foi professor nos Açores e também em Lisboa. Em 1975, decide de concorrer para Leitor de Português e é nomeado Diretor da Secção Portuguesa do Lycée International de Saint Germain-en-Laye durante quatro anos consecutivos.

Aquando da sua permanência em França, além do cargo de Diretor da Secção Portuguesa, António Neves Leal desempenhou numerosas atividades culturais e associativas e publicou diversos trabalhos jornalísticos. De 1976 a 1979 manteve regularmente uma crónica no jornal «A União» intitulada Varanda de Paris. Em 1984, já nos Açores, manteve semanalmente no Rádio Clube de Angra um programa sobre a canção francesa e seus reflexos civilizacionais.

O presente volume, “Varanda de Paris” (abril de 2017) é um conjunto de 42 crónicas publicadas de 1976 a 1979, acrescidas de 52 fotos e de eventos ocorridos em cada dia em que foram concebidas. Apesar do que sugerem o seu título e a capa, e apesar de alguma influência francesa visível nas referências e imagens, este livro é antes de tudo uma análise das realidades açorianas e também um riquíssimo testemunho sobre temas ligados à emigração portuguesa em França, que vão desde o Acordo Luso-Francês de 1977, até ao ensino da língua portuguesa, passando pelo movimento associativo ou pela questão do regresso.

“Varanda de Paris”, afirma António Neves Leal na sua introdução, “é um posto de observação na perspetiva do emigrante, esse ser bipartido e repartido entre o passado e o presente, o sonhar e o estar, o crer e o descrer, o chegar e o regressar. Com esta dualidade começa e acaba o livro”.

 

 

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