LusoJornal | Mário Cantarinha

Emídio Sousa juntou-se à Cap Magellan e sensibilizou emigrantes em Vilar Formoso para segurança rodoviária

Milhares de emigrantes portugueses foram recebidos na fronteira de Vilar Formoso por entidades que sensibilizam para a segurança rodoviária e ambiental, com alertas para o excesso de cansaço e perigo de incêndios. O evento é organizado todos os anos pela associação Cap Magellan, no quadro do programa “Sécur’Été 2026” e contou com a presença do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa.

“Para mim é sempre um momento muito emotivo, porque traz-me à memória questões pessoais e familiares, porque eu sou filho de emigrantes e o regresso a Portugal no mês de agosto faz parte da minha história de vida durante muitos, muitos anos” explicou Emídio Sousa ao LusoJornal. “Eu compreendo perfeitamente a emoção dos que vêm, a ansiedade por chegar à terra, a ansiedade por ver os amigos, ver a família, voltar ao sítio das suas memórias. Eu compreendo e dou-lhes sempre um abraço e normalmente pergunto de onde vêm e para onde vão, para perceber a dimensão dos seus esforços”.

Durante a manhã de sábado, as equipas da Cap Magellan e o Secretário de Estado, falaram com quem viaja nos já poucos carros que saem da autoestrada para atravessarem o antigo posto fronteiriço.

“Tive a oportunidade de conversar com quem saiu ontem de Paris ou de outras cidades francesas, por volta das 18 horas da tarde, provavelmente depois de um dia de trabalho, e vêm imediatamente e viajam toda a noite. Muitos já tiveram 14, 15 horas de esforço, de viagem, apanharam muito o trânsito em Espanha e chegam aqui já um bocado cansados” disse o Governante ao LusoJornal. “E o que eu lhes peço é que descansem, parem um bocado, porque ao olhar para os olhos de alguns percebi mesmo que estavam cansados. E às vezes a ansiedade, porque estão a duas horas de casa, três horas, e a vontade de chegar é tão grande que muitas vezes ignoram os sinais de vida”.

Emídio Sousa dizia-lhes para parar, para tomar um café, dizer-lhes que precisam de dormir um bocadinho, porque mais importante do que chegar depressa é chegar bem. Eu trago-lhes esta mensagem, um bocadinho de conversa e também um abraço fraterno. Eu tenho muita, muita estima pelos nossos emigrantes”.

Em conversa com o LusoJornal, Emídio Sousa diz que sabe que “muitos deles foram obrigados a emigrar, principalmente por razões económicas, porque não conseguiam ter uma vida em Portugal. Hoje já não acontece assim, hoje em Portugal já temos uma vida relativamente melhor, mesmo se ainda continua a haver muita emigração por razões económicas, mas é extraordinário como eles mantêm a sua ligação a Portugal, o coração está aqui, o regresso a Portugal faz parte da sua vida, das suas ambições todo o ano, falam português, há um ou outro que já não fala, mas nós temos que continuar a insistir com isso”.

O Secretário de Estado diz que “para mim, este dia é sempre um dia muito bom, é um dia emotivo, porque é um bocadinho da história de Portugal, desses portugueses que regressam no verão e também eu faço parte dessa história”.

“A Cap Magellan está a fazer um bom trabalho”

O Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas afirma que a Cap Magellan é uma associação com um trabalho “muito, muito dinâmico”, junto da comunidade portuguesa, sobretudo de um público mais jovem. “E eles têm esse mérito, porque uma das dificuldades que nós temos é fazer com que as gerações mais antigas transmitiram valores, movimento associativo, até infraestruturas aos mais jovens, e a Cap Magellan faz um trabalho muito bom, chega a uma juventude que poderia já não estar conectada a Portugal e eles continuam a trabalhar esta conexão, portanto muitos parabéns”. E Emídio Sousa acrescentou que “é uma associação que habitualmente recebe muitos apoios do Estado português, porque tem projetos com muito mérito e eu espero que continuem a fazer o bom trabalho que têm feito”.

O governante disse ainda que a presença na fronteira era um “sinal de carinho” tendo em conta o “apreço muito especial” pelos emigrantes que, sempre que chegam a Portugal, “trazem animação às terras, principalmente no interior”.

“E queremos que se sintam bem acolhidos”, vincou.

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