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Fado: Lizzie anuncia “Désert”, o novo álbum a lançar em outubro, e apresenta já o primeiro single “En mille notes”


A cantora francesa Lizzie, que há vários anos se afirma como uma das vozes mais singulares na aproximação entre a canção francesa e o fado, prepara o lançamento do seu novo álbum, “Désert”, com saída prevista para 30 de outubro. Antes disso, a artista revela já a primeira novidade: o single “En mille notes”, que será disponibilizado no dia 21 de agosto, marcando o início de uma nova etapa na sua carreira.

“Désert” é um disco “profundamente pessoal, fruto de um processo longo e exigente”. Lizzie iniciou os arranjos em 2023 e, graças a um crowdfunding realizado em 2024, conseguiu financiar a gravação, garantindo condições justas para todos os músicos envolvidos. O caminho até à conclusão do álbum foi, porém, mais demorado: a artista levou meses a reunir os fundos necessários para o ‘mastering’ e todos os detalhes técnicos que dão forma final a um disco. No total, foram “três anos de trabalho contínuo”, atravessados por mudanças pessoais e profissionais que influenciaram diretamente a escrita das canções.

O álbum reúne oito temas originais em francês, escritos por Lizzie, e duas composições sobre poemas portugueses. Um deles é “Quase”, de Mário de Sá Carneiro, uma reflexão sobre a beleza do caminho mesmo quando o destino não é alcançado. O outro é “O nosso mundo é este”, de José Gomes Ferreira, um texto duro e atual sobre violência, fascismo e tortura. Estes dois poemas, transformados em canções, revelam a ligação profunda da artista à literatura portuguesa e ao universo emocional do fado.

Os arranjos de “Désert” são assinados por Bastien Lucas, e a gravação decorreu no estúdio Little, com Fabien Martin. O álbum foi produzido através da associação de Lizzie, “La Navigante”, que estabeleceu uma licença exclusiva com a “Littoral Records”, permitindo que o disco seja distribuído pela “Kuroneko”.

Um primeiro single sai já este mês de agosto

O primeiro single, “En mille notes”, apresenta o tom deste novo ciclo artístico. É uma canção marcada por uma “melancolia suave”, uma homenagem aos mestres do fado, onde a guitarra portuguesa dialoga com a guitarra folk num equilíbrio raro. A voz e os coros evocam a tradição da canção francesa, mas o tema respira fadistamente: há ecos de Ana Moura, há uma certa luz de Joan Baez, e há sobretudo a presença da emoção crua que define o fado. Lizzie conduz o ouvinte para esse território híbrido, onde a alegria e o drama se entrelaçam, onde cantar é expor a fissura da alma e, ao mesmo tempo, sublimá-la.

O segundo single, “Quase”, será lançado em meados de setembro. No início desse mês, Lizzie divulgará também “uma vídeo-explicação dos textos”, gravada em Lisboa pelo realizador Mickaël Rodrigues, aprofundando o diálogo entre a artista e a poesia portuguesa.

A apresentação oficial de “Désert” está marcada para 19 de novembro, no Le Triton, em Les Lilas, um espaço emblemático da cena musical francesa. Para Lizzie, este concerto será mais do que um lançamento: será a celebração de um percurso feito de persistência, de encontros e de uma fidelidade absoluta à emoção que a levou, ainda adolescente, a descobrir o fado.

Com “Désert”, Lizzie confirma-se como uma das vozes mais originais da diáspora fadista e da nova “chanson française”. O álbum promete tocar tanto o público português como o francês, e certamente despertará a curiosidade de quem acompanha as novas linguagens do fado.

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