A francesa Nickel quer fazer parcerias com autarquias para reforçar rede de levantamento de dinheiro em Portugal


A empresa Nickel, que pertence ao grupo francês BNP Paribas, quer fazer parcerias com autarquias portuguesas ou outras entidades públicas para disponibilizar serviços de levantamento de dinheiro ‘vivo’ em locais em que não existam, disse à Lusa o responsável da empresa em Portugal.

Em entrevista à Lusa, João Guerra citou o recente estudo do Banco de Portugal sobre acesso a numerário que concluiu que em muitas regiões de Portugal, sobretudo no interior do Continente, as populações não têm acesso fácil a notas e moedas, considerando que é onde a Nickel pode ter um papel importante. “Faz sentido parcerias para nessas zonas, de forma fácil e rápida, colmatar necessidades”, afirmou, referindo-se a parcerias com câmaras municipais, juntas de freguesia ou espaços do cidadão.

A Nickel, empresa de pagamentos, já tem atualmente 750 pontos de venda em Portugal e quer continuar a crescer na rede de agentes. Segundo João Guerra, os agentes estão situados sobretudo em zonas de maior densidade populacional, mas a empresa também tem interesse em crescer em zonas mais despovoadas.

Contudo, acrescentou, aí muitas vezes há a dificuldade de encontrar parceiros com condições para prestarem esses serviços, pelo que parcerias com entidades públicas podem ser a solução e levar a essas regiões serviços financeiros essenciais como levantamento e depósito de numerário.

“Com parcerias com autoridades e autarquias locais é possível cobrir estes pontos e resolver problemas”, vincou João Guerra.

O Banco de Portugal divulgou um estudo, em julho, segundo o qual havia 1.241 freguesias sem “rede de acesso a numerário” em 2025, o que corresponde a 40% do total de freguesias, situando-se a maioria em zonas rurais.

O banco central entende como pontos de acesso a numerário as caixas automáticas (caso das caixas Multibanco), agências bancárias com serviços de caixa (depósito e levantamento de dinheiro) e “pontos de cash-in-shop” (lojas, como tabacarias e quiosques, com acordos com a marca Nickel em que as pessoas podem fazer levantamento de dinheiro).

Segundo o banco central, este modelo ‘cash-in-shop’, embora seja recente em Portugal, “poderá vir a desempenhar um papel relevante na extensão da rede, sobretudo em territórios onde a presença dos canais tradicionais seja mais limitada” e haja restrições ao acesso a notas e moedas.

Em países como Alemanha, Países Baixos e estados Bálticos este modelo tem expressão significativa.

Pertencente ao grupo francês BNP Paribas, a Nickel começou a operar em Portugal em 2022, mas não divulga o valor da faturação em Portugal nem o número de clientes.

Em Portugal, a empresa tem 32 trabalhadores. É ainda apoiada pelas equipas que estão em França, sede do BPN Paribas.

Para ter acesso aos serviços da Nickel as pessoas têm de abrir uma conta e desde esse momento pode fazer operações como transferências, débitos diretos e levantamentos e depósitos nos agentes da rede (com limites).

O dinheiro depositado em contas Nickel está coberto pelo Fundo de Garantia de Depósitos de França (igual ao português, até 100 mil euros).

Já a supervisão comportamental pertence ao Banco de Portugal. Assim, será o Banco de Portugal a receber as eventuais queixas de clientes bancários e a proceder a análise e eventuais sanções.

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