Luis Ferreira Alves

Mercado do Bolhão no Porto inspira debate sobre a cidade de proximidade na Embaixada de Portugal em Paris


A reabilitação do Mercado do Bolhão, um dos edifícios mais emblemáticos da cidade do Porto, estará no centro de um encontro dedicado à arquitetura, ao património e ao futuro das cidades, que terá lugar esta segunda-feira, dia 26 de outubro, na Embaixada de Portugal em França, em Paris. A iniciativa assinala a apresentação da obra “Mercado do Bolhão”, da autoria editorial de Nuno Miguel Borges, publicada em 2024, que documenta o longo processo de recuperação daquele mercado histórico portuense.

O encontro propõe uma reflexão alargada sobre o papel dos equipamentos de proximidade na cidade contemporânea, numa época em que conceitos como a mobilidade sustentável, a revitalização dos centros urbanos e a qualidade de vida dos habitantes ocupam um lugar central no debate público.

Reaberto em 2022, após uma profunda intervenção de reabilitação conduzida pelo arquiteto Nuno Valentim, o Mercado do Bolhão recuperou a sua função de mercado tradicional e de espaço de encontro no coração do Porto. O projeto procurou conciliar a preservação das características arquitetónicas, históricas e construtivas do edifício com as exigências do seu funcionamento atual, mantendo igualmente viva a dimensão humana que sempre definiu este espaço.

O livro agora apresentado constitui um testemunho desse processo de transformação. A obra reúne textos de Joana Couceiro e Luís Soares Carneiro, uma entrevista conduzida por Nuno Miguel Borges com Nuno Valentim, desenhos do projeto e um importante ensaio fotográfico de André Cepeda, composto por 83 fotografias realizadas ao longo dos vários anos que acompanharam a intervenção. O trabalho editorial documenta o mercado antes, durante e depois das obras, permitindo compreender a evolução de um dos mais reconhecidos símbolos da cidade do Porto.

A conversa que se seguirá à apresentação promete reunir três perspetivas complementares sobre a forma como as cidades podem adaptar o património existente aos desafios do século XXI. Entre os convidados encontra-se Carlos Moreno, professor associado da Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne e criador do conceito da “cidade dos quinze minutos”, atualmente adotado por numerosas metrópoles internacionais. Participa também Frédéric Druot, arquiteto francês reconhecido pelo seu trabalho de transformação e reutilização do património edificado, nomeadamente através dos projetos desenvolvidos com Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal.

A dimensão política e institucional será representada por Rui Moreira, antigo Presidente da Câmara Municipal do Porto entre 2013 e 2025 e atual Embaixador Permanente de Portugal junto da OCDE, em Paris. Durante os seus mandatos à frente da autarquia portuense, acompanhou a concretização da reabilitação do Bolhão, um projeto que se tornou uma das intervenções urbanas mais marcantes da cidade nas últimas décadas.

A moderação ficará a cargo de Nuno Valentim, responsável pelo projeto de reabilitação do Mercado do Bolhão e professor associado da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto. A iniciativa conta ainda com o apoio da Câmara Municipal do Porto, representada nesta ocasião por Jorge Sobrado, Vereador da Cultura.

Ao acolher este encontro, a Embaixada de Portugal em França promove um debate que ultrapassa a realidade portuense e que toca questões partilhadas por muitas cidades europeias: como preservar a memória dos lugares, revitalizar os espaços urbanos existentes e reforçar os equipamentos de proximidade que contribuem para a coesão social e para a identidade dos bairros.

A sessão decorrerá em francês, na Embaixada de Portugal em França, em Paris, a partir das 18h00, terminando com um convívio entre os participantes e convidados. A entrada é livre, sujeita à capacidade da sala.

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