A Galeria Imago Lisboa acolhe, desde 16 de outubro, até 14 de novembro, uma exposição que reúne os trabalhos das artistas francesas Anaïs Tondeur e Chloé Azzopardi, duas criadoras que, através de linguagens distintas, exploram as relações entre o ser humano, a tecnologia e o mundo vivo. Integrada no programa MaisFrança, iniciativa dedicada à promoção da criação contemporânea francesa em Portugal, a mostra apresenta um diálogo artístico que convida o público a refletir sobre os desafios ecológicos e as transformações dos territórios marcados pela ação humana.
Situadas na intersecção entre fotografia, ecologia, investigação artística e ficção, as obras apresentadas propõem novas formas de olhar para os ambientes naturais e para as mudanças provocadas pela atividade humana. Mais do que denunciar os impactos da degradação ambiental, os trabalhos expostos procuram abrir espaço a outros imaginários e a novas possibilidades de coexistência entre espécies.
Com o projeto “Fiori di Fuoco”, Anaïs Tondeur desenvolve uma pesquisa poética em torno das plantas ruderalas que crescem em solos extremos e contaminados da região de Nápoles, nomeadamente na chamada Terra dos Fogos e nas áreas vulcânicas envolventes do Vesúvio. A artista recorre à fitografia, um processo fotográfico que utiliza as próprias plantas e as suas propriedades químicas para criar imagens, sem que estas sejam retiradas do seu ambiente natural.
O trabalho vai além da simples representação visual da paisagem. Através de uma correspondência estabelecida entre a artista, o filósofo Michael Marder e as plantas fotografadas, constrói-se um diálogo feito de imagens, palavras e cartas. Esta abordagem procura dar visibilidade a formas de vida frequentemente ignoradas, revelando a capacidade de resistência, adaptação e regeneração dos ecossistemas em territórios profundamente marcados pela poluição e pela exploração humana.
Por sua vez, Chloé Azzopardi apresenta uma série de objetos e dispositivos inspirados no universo da ficção científica. Produzidas a partir de materiais rudimentares e elementos naturais, as suas obras situam-se entre o artefacto, a prótese e a invenção futurista. Estes objetos imaginam novas formas de interação entre o corpo humano e o mundo vivo, desafiando as fronteiras tradicionais entre natureza e tecnologia.
A artista questiona conceitos como progresso, desenvolvimento e inovação tecnológica, recusando simultaneamente tanto a nostalgia de um regresso idealizado à natureza como a confiança absoluta nas soluções tecnológicas para responder à crise ambiental. Através do jogo, da especulação e da ficção, propõe outros modos de imaginar o futuro e de pensar as relações entre os seres humanos e o planeta.
Ao reunir estas duas abordagens artísticas, a exposição transforma-se num espaço de reflexão sobre o lugar do ser humano nos ecossistemas contemporâneos. Num momento em que as questões ambientais ocupam um lugar central no debate internacional, os projetos de Anaïs Tondeur e Chloé Azzopardi recordam que a arte pode também ser um instrumento para repensar relações, questionar certezas e imaginar novas formas de habitar um mundo em constante transformação.
A exposição tem curadoria de Rui Prata.







