Opinião: O que está em causa na segunda volta das Presidenciais?Paulo Pisco·Opinião·25 Janeiro, 2026 A caminho da segunda volta das eleições presidenciais, António José Seguro vai somando apoios de personalidades de todos os quadrantes políticos. As que estão mais à Esquerda foram as primeiras a manifestar-se. Depois, começaram a surgir os apoios de personalidades da Direita, porque veem André Ventura como uma ameaça à democracia e à estabilidade do país. Ninguém veio ainda em apoio de André Ventura, que diz marimbar-se para os notáveis, embora tenha muitos atrás de si, na sombra e envergonhados, sem dar a cara. Como populista encartado, diz que só o povo conta. E contra-ataca, como sempre faz quando está em situação desfavorável, agarrando-se ao número de debates para insultar e apoucar o seu adversário. E assim Ventura inicia uma campanha de bullying, sem elevação nem respeito. Não será este, de certeza, o tom da campanha de António José Seguro. Os inúmeros apoios de personalidades oriundas da direita, mas também de outros setores que nada têm a ver com a política, são a evidência de que não se trata de nenhuma escolha entre aqueles que querem o socialismo e os que o rejeitam. Ventura gosta muito de insultar o socialismo democrático, para assim inventar mais um inimigo e justificar a sua cruzada antidemocrática. Mas ser socialista não é estigma. Estigma é pertencer a um partido extremista que tem militantes em movimentos neonazis, que agora foram detidos na Operação Irmandade da Polícia Judiciária, que desmantelou uma rede do Movimento 1143, que preparava uma guerra racial, tal como no ano passado foi desmantelado outro grupo extremista, o Movimento Armilar Lusitano, que preparava um assalto ao Parlamento. Estigma é ser um agente ativo da degradação da democracia e da vida parlamentar, é espezinhar as leis e a Constituição. Indecência, é inventar inimigos e arrastar uma sociedade inteira na xenofobia e no racismo, é espalhar o ódio e o medo, é usar a desinformação, a mentira e manipular a realidade e os jovens, prometendo um futuro que nenhum extremista sem travões pode dar a ninguém. António José Seguro é o contrário de tudo isto. É tolerância, humanismo e respeito por todos, pelas leis e pela Constituição, é o garante do bom relacionamento bilateral entre Estados, e a defesa do multilateralismo e dos direitos humanos. Triste país seria Portugal nas mãos de André Ventura, sem sentido de Estado e incompatibilizado com meio mundo. Que relações diplomáticas teríamos com países como o Brasil, Angola, Espanha, Índia, Bangladesh, Nepal, com os Estados da CPLP e outros, depois de ter já ofendido e humilhado vezes sem conta os seus representantes e os seus povos? O socialismo democrático não é estigma. É orgulho. É a ele que se deve a consolidação da democracia e um desenvolvimento económico, social, cultural e científico, que só não vê quem estiver de má fé ou quiser ser desonesto. Socialismo democrático é Mário Soares e Jorge Sampaio, é a adesão à União Europeia e de onde emergiram o Secretário-geral das Nações Unidas e o Diretor-geral da Organização Internacional das Migrações, António Guterres e António Vitorino, o Presidente do Eurogrupo e o atual Presidente do Conselho Europeu, Mário Centeno e António Costa. E André Ventura o que contribuiu para o país? Zero. Cresceu à custa de uma agenda de ódio e disrupção, dividiu a sociedade e ataca as instituições, tem sido um agente ativo de degradação da democracia e ocupou o Parlamento com gente sem regras nem respeito. Ser contra o sistema, como diz que é, tal como os neonazis, jamais poderá ser o argumento dos democratas. O Chega escancarou as portas para os grupos mais extremistas da sociedade portuguesa e levou as ramificações para a emigração, onde também foram identificados núcleos dos neonazis do 1143 na Suíça e em França. Que vergonha tão grande para um país como Portugal, que teve colónias, mas também é feito de humanismo, universalismo e de emigração ao longo de toda a sua história. O que está em causa na segunda volta das eleições presidenciais é, por isso, defender a democracia contra aqueles que a querem destruir, o humanismo e os direitos humanos, contra o racismo e a intolerância, a moderação e o diálogo, contra o extremismo, a violência e a perseguição. Que ninguém se deixe enganar. . Paulo Pisco Diretor do Departamento de Comunidades Portuguesas do PSMandatário de António José Seguro para a DiásporaEx-Deputado pelo círculo eleitoral da Europa