Opinião: A minha posição sobre as próximas eleições presidenciais em PortugalLuís Gonçalves·Opinião·27 Janeiro, 2026 Há momentos em que o silêncio se torna cumplicidade. Este é um deles. André Ventura é um homem politicamente inteligente. Mas essa inteligência não serve, nem nunca serviu, os interesses do povo português. Serve uma ideologia perigosa, que prospera através do medo, da mentira e da divisão social. O seu projeto político não é unir Portugal. É colocar portugueses contra portugueses. É apontar o dedo aos mais frágeis para esconder os verdadeiros problemas do país. E, para isso, escolheu um alvo fácil: os imigrantes. Com discursos claramente xenófobos, André Ventura tenta convencer os portugueses de que os males de Portugal têm rosto estrangeiro. Isto não é apenas falso é moralmente irresponsável! Faço-vos perguntas simples, que qualquer cidadão honesto consegue responder: – Quem varre as ruas das nossas cidades ao amanhecer? – Quem recolhe o lixo quando o país dorme? – Quem aceita os trabalhos mais duros, mais perigosos e mais mal pagos na construção civil? – Quem apanha fruta e legumes sob calor extremo, muitas vezes sem contratos dignos, proteção ou salários justos? – Quem sustenta a restauração com horários desumanos? São, maioritariamente, imigrantes. Sem imigração, muitas empresas já teriam fechado. Sem imigração, a economia portuguesa não funcionaria como funciona hoje. Isto é um facto não uma opinião. . André Ventura fala obsessivamente de subsídios, mas nunca fala da exploração. Nunca fala dos patrões que abusam, dos salários miseráveis, do trabalho não declarado, das pessoas exploradas dentro de casas, campos e empresas. Essa exploração, muitas vezes, é feita por portugueses e sobre isso reina o silêncio conveniente. Sou humanista. E ser humanista é simples: sou contra a exploração do ser humano, seja ela exercida sobre portugueses ou imigrantes, ricos ou pobres, nacionais ou estrangeiros. Exploração é exploração e deve ser combatida sem exceções nem hipocrisia. Fui, sou e serei imigrante. Em Portugal ou fora dele. Mas nunca serei fascista, nem cúmplice de discursos de ódio disfarçados de “verdades”. E sejamos claros: André Ventura não quer ser Presidente da República. Quer o palco, a provocação e o caos. Quer dividir hoje para governar amanhã nas eleições legislativas. . Agora, no dia 8 de fevereiro, cabe aos Portugueses decidir se querem um país guiado pelo medo ou pela justiça social. Espero que acordem a tempo. Fiquem bem! . Luís Gonçalves Antigo Presidente da Academia do Bacalhau de Paris