Luís Montenegro vai hoje inaugurar o Consulado-Geral de Portugal em Andorra_LusoJornal·Comunidade·29 Janeiro, 2026 O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, vai estar esta tarde em Andorra, onde terá um encontro com o Chefe do Executivo do principado, Xavier Espot Zamora, e inaugurará formalmente o novo Consulado-Geral de Portugal. Depois vai ter um encontro com a Comunidade portuguesa. A inauguração formal do Consulado-Geral culmina o cumprimento de uma promessa feita em junho de 2022, durante uma visita do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, para as celebrações do 10 de Junho naquele ano. O então Secretário de Estado das Comunidades, Paulo Cafôfo, anunciou a abertura de um Consulado-Geral em Andorra, respondendo assim a reivindicações da comunidade portuguesa, que se queixava de que tinha de se deslocar a Barcelona (a 200 quilómetros de distância) para ter acesso a serviços consulares. Portugal indeciso, entre avanços e recuos Portugal tinha em Andorra uma Embaixada de Portugal com Secção consular, mas decidiu encerrar em 2012, no âmbito de cortes orçamentais decididos durante o resgate da ‘Troika’. Para “substituir”, Portugal nomeou um Cônsul Honorário para o país. Tratou-se de Manuel Silva, um empresário de Valpaços, no ramo da pastelaria e o Consulado Honorário passou a ter alguns serviços consulares. Mas a pressão da Comunidade era muita e, na sequência da promessa de 2022, foi formalmente criado um Consulado-Geral por um decreto de março de 2024. O Cônsul Geral é Duarte Pinto da Rocha, que estava na Embaixada portuguesa de Pequim, e foi nomeado para Andorra em agosto de 2024 e iniciou funções em setembro do mesmo ano. Desde então o Consulado-Geral esteve a funcionar temporariamente nas instalações do antigo Consulado Honorário e mudou-se para o novo espaço em meados do ano passado, ainda em obras. Será este espaço, já totalmente recuperado, que Luís Montenegro inaugura hoje oficialmente. Uma população portuguesa a decrescer Segundo as estatísticas oficiais do Principado divulgadas esta semana, a Comunidade portuguesa ascendia a 8.428 pessoas no final de 2025, o equivalente a 9,5% da população do país. Os portugueses são a segunda maior comunidade estrangeira residente em Andorra, a seguir à espanhola (21.013 pessoas), e a emigração nacional para este país nos Pirenéus, entre Espanha e França, tem uma origem antiga e já com várias décadas. As autoridades portuguesas estimam que, incluindo os lusodescendentes, a Comunidade portuguesa seja o dobro dos 8.428 residentes que revelam as estatísticas oficias de Andorra, país que não admite a dupla nacionalidade. “Há já uma segunda e terceira gerações” de portugueses nascidos em Andorra e “os filhos e netos que decidem ficar” renunciam à nacionalidade dos pais e avós, explicou à Lusa o Cônsul-Geral de Portugal no país, Duarte Pinto da Rocha. Apesar de ser um destino antigo e tradicional da emigração portuguesa, a comunidade residente no país tem vindo a descer de forma lenta, mas contínua: nos últimos 15 anos passou de 10.832 pessoas (em 2010) para 8.428 (em 2025). Duarte Pinto da Rocha lembrou que a Comunidade chegou a alcançar as 18.000 pessoas, num momento em que a população total de Andorra rondava os 60.000 habitantes, muito menos dos que os atuais quase 90.000. Os grandes números de emigração portuguesa para Andorra coincidiram também com picos na construção civil local, como aconteceu entre a décadas de 1980 e os primeiros anos deste milénio, e quando os salários eram muito mais atrativos do que em Portugal. Luís Montenegro tem encontro com a Comunidade O LusoJornal trabalhou na criação de uma edição em Andorra, em paralelo com a que teve na Bélgica, mas, em vésperas do lançamento – que devia ser feito aquando de uma viagem do então Presidente Aníbal Cavaco Silva ao país – o parceiro local do LusoJornal desistiu do projeto e tudo ficou anulado. Posteriormente, o custo de vida agravou-se em Andorra, sobretudo no imobiliário, e a emigração portuguesa para o país diminuiu também, explicou Duarte Pinto da Rocha. A maioria dos portugueses continua hoje a trabalhar na construção, no comércio, na hotelaria e na restauração, mas há agora também uma nova emigração para Andorra, com um perfil mais qualificado, diferenciado e diversificado, e que se dedica a outro tipo de serviços, como a promoção imobiliária, disse o Cônsul-geral. Em paralelo, está a crescer a imigração oriunda da América Latina, uma nova de mão-de-obra disponível para setores da construção e da hotelaria, que está a substituir a europeia. O Primeiro-Ministro terá, depois da inauguração, um encontro com o homólogo de Andorra, na sede do Governo do Principado, e termina o dia num encontro com a Comunidade portuguesa, num hotel de Andorra-a-Velha.