Luísa Semedo apela às associações portuguesas de França que defendam os “valores democráticos”Carlos Pereira·Comunidade·5 Fevereiro, 2026 A filósofa Luísa Semedo lançou um apelo às associações portuguesas em França para que “tomem posição pública em defesa dos valores democráticos e/ou contactem os seus associados, incentivando a participação cívica e o voto informado”. E acrescenta que “não se trata de apoiar partidos, mas de afirmar princípios fundamentais: a democracia, a dignidade humana, o combate ao racismo, ao sexismo e à exclusão”. “Dirijo-me a vós enquanto emigrante portuguesa em França, com orgulho na nossa história coletiva e com profunda preocupação face aos recentes resultados eleitorais no círculo da emigração” escreve Luísa Semedo numa carta enviada às associações. “Nos últimos dias, têm circulado discursos profundamente estigmatizantes sobre ‘a emigração’, acusada em bloco de uma alegada adesão à Extrema-Direita. Esses discursos ignoram deliberadamente a complexidade, a diversidade e, sobretudo, a história política e cívica da emigração portuguesa. Ignoram que, durante décadas, emigrar foi um ato de sobrevivência, mas também de resistência; que Abril também se fez fora de Portugal; que muitas e muitos desses emigrantes continuam vivos, atentos, implicados na luta antifascista sempre em curso”. Luísa Semedo, que já foi candidata às eleições legislativas pelo círculo eleitoral da Europa diz que “importa dizê-lo com rigor: a emigração, enquanto conjunto, não ‘votou’ na Extrema-Direita. A taxa de abstenção ultrapassou os 90%. Onde houve resultados expressivos, eles explicam-se, em parte, por um trabalho de mobilização organizado e persistente”. . “O silêncio do campo democrático não é uma opção” A filósofa e professora universitária considera que as associações portuguesas em França “sempre foram espaços fundamentais de encontro, de consciência cívica, de organização social e política. Foram, e continuam a ser, lugares onde se transmite memória, onde se constrói espírito cívico, onde se aprende a participar. Muitas associações carregam um legado antifascista, democrático e solidário que não pode ser esquecido nem abandonado”. E é neste contesto que deixa um apelo “claro e respeitoso”: que as associações portuguesas em França que ainda não o tenham feito “tomem posição pública em defesa dos valores democráticos e/ou contactem os seus associados, incentivando a participação cívica e o voto informado”. “O orgulho emigrante constrói-se também assim, não pela exceção ou sentimentos de superioridade, mas pela responsabilidade coletiva, pela memória histórica e pelo compromisso ativo com o presente. A luta continua, e ela faz-se também nos espaços associativos” apela Luísa Semedo.