LusaPresidenciais’26: A hora da verdade: Ventura ou Seguro?_LusoJornal·Política·6 Fevereiro, 2026 Termina agora a campanha eleitoral e durante este fim de semana os Portugueses vão escolher quem será o próximo Presidente da República portuguesa. Entre André Ventura e António José Seguro, apenas um sairá vencedor da eleição e vai substituir Marcelo Rebelo de Sousa no Palácio de Belém para um mandato de 5 anos. Os Portugueses residentes no estrangeiro vão poder votar durante dois dias, no sábado e no domingo. Depois de uma campanha que acaba de forma bem particular, e de uma eleição em duas voltas… a escolha agora é do eleitor. . André Ventura: O rosto do Chega que se afirma candidato antissistema André Ventura, líder e figura central do Chega, voltou a entrar na corrida a Belém depois do terceiro lugar em 2021, reclamando-se o candidato antissistema, que não será o Presidente de todos os portugueses. André Claro Amaral Ventura, 42 anos, começou o seu percurso político no PSD, partido pelo qual foi eleito vereador da Câmara Municipal de Loures em 2017, após uma campanha que ficou marcada por declarações sobre a comunidade cigana, que causaram polémica. Em 2018, desfiliou-se do PSD, em rutura com o então líder do partido, Rui Rio, renunciou ao mandato de vereador em Loures. André Ventura fundou o Chega em 2019 e é o seu presidente desde o primeiro congresso, cargo que mantém há seis anos, após várias reeleições. O líder do Chega, que conta com o apoio do partido, anunciou em setembro que voltaria a candidatar-se a Presidente da República para esta força política “ter voz” nas presidenciais. O discurso discriminatório contra ciganos e anti-imigração, que tem vindo a repetir ao longo dos anos, manteve-se nesta candidatura, nomeadamente em cartazes espalhados pelo país e que lhe valeram um processo em tribunal. Em 2019, Ventura foi eleito pela primeira vez para a Assembleia da República, na altura como Deputado único. Dois anos depois, o partido elegeu 12 deputados e em 2025 conseguiu 60 lugares, tornando-se a segunda força parlamentar. Ventura foi candidato a Presidente da República pela primeira vez em 2021 e conseguiu perto de 500 mil votos, que se traduziram em 11,9% dos votos, e ficou em terceiro lugar. André Ventura nasceu em 15 de janeiro de 1983, em Algueirão-Mem Martins, freguesia do concelho de Sintra. É casado com Dina Nunes Ventura desde 2016 e não tem filhos. É licenciado em direito pela Universidade Nova de Lisboa e doutorado na mesma área pela Universidade de Cork, na Irlanda. É jurista, foi professor universitário, consultor e inspetor na Autoridade Tributária e, antes da política, ficou conhecido como comentador televisivo sobre desporto. É adepto do Benfica. . Seguro quebra jejum na política “sem amarras” e com apoio do PS António José Seguro, antigo líder socialista, quebrou uma década de interregno político com a candidatura presidencial, que assegura ser “sem amarras” apesar do apoio do PS quatro meses depois, posicionando-se na “esquerda moderada e moderna” após ter recusado gavetas. António José Seguro avançou para as eleições presidenciais sem esperar pelo partido que liderou e, em 15 de junho, apresentou a sua candidatura “sem amarras”, apartidária e aberta a todos os democratas. Só quatro meses depois é que o PS formalizou o apoio. António José Martins Seguro nasceu em 11 de março de 1962 em Penamacor, é mestre em Ciência Política, pelo ISCTE-IUL, e licenciado em Relações Internacionais, pela Universidade Autónoma de Lisboa. É casado e tem dois filhos. Depois de ocupar vários cargos públicos – membro do Governo, Deputado ou Eurodeputado, entre outros – António José Seguro afastou-se da vida política após a demissão de Secretário-geral do PS, em setembro de 2014, na sequência da derrota das eleições primárias contra António Costa. Remetendo-se à condição de “militante de base” depois de deixar a liderança do PS, que ocupou entre 2011 e 2014, o agora candidato presidencial dedicou-se às aulas na universidade e aos seus negócios e manteve-se quase em silêncio sobre as questões políticas ao longo da última década, com raríssimas exceções. Líder da Juventude Socialista (JS) entre maio de 1990 e março de 1994, conheceu, pela mão de António Guterres, uma ascensão rápida: Chefe de gabinete do Secretário-geral, foi eleito Deputado nas legislativas de 1991 e a partir de 1994 fez parte do núcleo duro do “guterrismo” e Secretário de Estado do Desporto. Em 1999, foi número dois de Mário Soares na lista do PS às europeias, regressando a Lisboa dois anos depois ser Ministro-adjunto do Primeiro-Ministro. Durante a governação de Sócrates, António José Seguro esteve sempre na segunda linha, apesar de ter sido cabeça de lista por Braga nas eleições legislativas de 2005, 2009 e 2011, tendo coordenado a reforma do Parlamento em 2007.