Opinião: “Estas eleições foram marcadas por inúmeros atos de violência”_LusoJornal·Opinião·9 Fevereiro, 2026 Nunca estive tão envolvido numa eleição como aconteceu nestas Presidenciais de 2026. Nunca pertenci a nenhum partido político. Considero-me um pensador crítico, no sentido mais nobre da palavra, sou humilde o suficiente para admitir que não sou infalível. Mas não tolero nenhum fanatismo radical, seja político, desportivo ou religioso. Aprecio discussões cordiais, mas o desejo de alguns de impor as suas ideias aos outros é incompreensível para mim, e é por isso que lhe chamo de radicalismo ou fanatismo. Estas eleições foram marcadas por inúmeros atos de violência e acredito que isso vai continuar, porque a difamação e as mentiras espalham-se mais rapidamente e são mais eficazes para aqueles que querem semear o caos. Infelizmente, deparamo-nos agora com propaganda digital que mina a verdade. É lamentável que a nossa democracia de cinquenta anos esteja em risco, mas é igualmente incompreensível que os filhos de muitos emigrantes sejam desrespeitosos e não compreendam que o dia 25 de Abril não foi um dia glorioso. Muitos dos seus pais emigraram com um único propósito: escapar à fome e proporcionar uma vida melhor aos seus filhos. Outros demonstraram atitudes que até poderiam ser questionadas por alguns nostálgicos, mas nesse tempo estes jovens tomaram decisões difíceis. Deixaram para trás os seus amigos, os seus pais, por vezes as suas mulheres e filhos, para fugirem a uma guerra colonial que nunca deveria ter acontecido! Muitos destes jovens, filhos de emigrantes e, outros, estão agora desligados da realidade, incapazes de compreender que tantos países derramaram tanto sangue para conquistar a liberdade e que só a democracia nos permite expressar o nosso descontentamento. Estes eleitores, que votaram cegamente nestas eleições, não compreendem que muitos líderes extremistas em todo o mundo têm apenas um objetivo: semear a confusão, ocultando a verdade ao povo para, depois, impor o seu poder pela força. O mundo nunca esteve tão perigoso, com o extremismo, tanto de esquerda como de direita, a ganhar terreno. Este é um mau presságio para os moderados. Mesmo os elementos mais radicais, incluindo aqueles com pouco empenho cultural ou cívico, sempre encontraram ali refúgio, por vezes protestando racionalmente, mas sem oferecer soluções concretas. Na minha modesta opinião, gostaria de fazer um alerta aos atuais e futuros dirigentes políticos: estamos a assistir a um descontentamento social generalizado. Os abusos de certos dirigentes nas últimas décadas descredibilizaram as instituições e provocaram a indignação popular! Os partidos políticos que aspiram à credibilidade devem afastar os indivíduos incompetentes. Os líderes políticos não devem, em caso algum, desestabilizar o Governo em funções; pelo contrário, devem ajudar a implementar as políticas que prometeram aos eleitores. Os candidatos políticos nunca devem prometer o impossível; devem ouvir o povo. Se foram eleitos, foi para implementar as políticas e reformas que prometeram. Não há desculpas! Quando um governo chega ao poder sem maioria absoluta, deve ter a humildade de governar com os partidos representados na Assembleia Legislativa; caso contrário, deve ter a humildade de renunciar. Vamos pôr fim a este radicalismo e a esta agitação social. Não há desculpas. Os Governos anteriores são responsáveis pela situação atual. . José da Rocha