A córnea é a estrutura transparente que cobre a parte da frente do olho e funciona como uma lente natural que ajuda a focar a luz. Para que a visão seja nítida, a córnea deve ter uma forma regular. No queratocone, essa estrutura torna-se progressivamente mais fina e começa a deformar-se para a frente, adquirindo uma forma mais pontiaguda, semelhante a um cone. Essa alteração provoca um astigmatismo irregular e leva a uma visão distorcida que nem sempre é totalmente corrigida com óculos.
O queratocone surge habitualmente na adolescência ou no início da idade adulta, sendo por isso frequentemente diagnosticado em jovens. Trata-se de uma doença multifatorial, na qual podem existir fatores genéticos, mas também fatores ambientais. É mais frequente em pessoas com alergias oculares ou tendência para comichão nos olhos.
Um aspeto particularmente importante é o hábito de esfregar os olhos. Coçar os olhos de forma repetida e vigorosa pode fragilizar ainda mais a córnea e contribuir para a progressão da doença. Por isso, evitar esfregar os olhos e tratar adequadamente as alergias oculares é uma das recomendações mais importantes para estes doentes.
Nos estádios iniciais, o queratocone pode manifestar-se por alterações frequentes da graduação dos óculos, dificuldade crescente em obter uma visão nítida ou sensação de sombra nas imagens. Atualmente existem tratamentos que podem travar a progressão da doença, como o crosslinking da córnea, sobretudo quando o diagnóstico é feito precocemente.
Perante suspeita de queratocone, sobretudo em jovens com alterações rápidas da graduação ou visão que não melhora com óculos, a avaliação por um oftalmologista é essencial para confirmar o diagnóstico e orientar o tratamento mais adequado.
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Dra. Ana Miguel Quintas
Oftalmologista especialista em Córnea, Transplantação e Superfície Ocular Externa
Clínica AlmPrimum






