Congresso do PS: José Luís Carneiro quer reforçar o papel das Comunidades Portuguesas


No documento político apresentado por José Luís Carneiro ao XXV Congresso Nacional do Partido Socialista, a valorização das Comunidades Portuguesas surge como um dos eixos estruturantes da visão de futuro do partido. A moção – intitulada “Contamos Todos” – dedica um capítulo específico às políticas para a diáspora, sublinhando que Portugal só pode afirmar plenamente a sua soberania e influência internacional se integrar de forma estratégica os mais de cinco milhões de portugueses e lusodescendentes espalhados pelo mundo.

Neste documento, José Luís Carneiro volta a candidatar-se à liderança do partido. “Há seis meses, tive a honra de ser eleito Secretário-Geral do Partido Socialista, numa eleição intercalar estatutária por vacatura do cargo. Agora, no calendário do Congresso Nacional e da eleição de todos os órgãos nacionais do nosso partido, recandidato-me a Secretário-Geral” conta José Luís Carneiro, que já foi Secretário de Estado das Comunidades. “Faço-o com sentido de dever cumprido, mas sobretudo pelo muito que ainda há a fazer. Faço-o pelo caminho que começámos juntos e que quero continuar, com todos os socialistas. Faço-o pedindo a sua confiança para consolidar esse caminho de recuperação de uma posição maioritária para o Partido Socialista”.

Comunidades Portuguesas como ativo estratégico

A moção defende que as Comunidades não devem ser vistas apenas como destinatárias de políticas públicas, mas como “parceiras ativas na projeção internacional de Portugal”, na economia, na cultura, na diplomacia e na ligação à lusofonia.

O texto sublinha que a diáspora é “um dos maiores ativos nacionais”, capaz de reforçar a presença portuguesa em setores como ciência, inovação, investimento e internacionalização empresarial.

Entre as prioridades destacadas, José Luís Carneiro propõe a modernização dos processos eleitorais, incluindo voto antecipado e voto em mobilidade também para os portugueses no estrangeiro, replicando no partido as soluções que o PS implementou no país. Defende também a dupla inscrição efetiva para militantes que participem simultaneamente em estruturas locais em Portugal e no estrangeiro, reconhecendo a especificidade da militância da diáspora.

Embora o documento não detalhe medidas operacionais, a lógica geral da moção aponta para o reforço da capacidade consular, melhor articulação entre serviços públicos e cidadãos residentes no estrangeiro, simplificação administrativa, e uma visão mais integrada da ação externa portuguesa.

A ideia central é clara: “a presença do Estado junto das comunidades deve ser mais moderna, mais digital e mais próxima”.

Educação, cultura e língua portuguesa

A moção sublinha a importância da cultura e da educação como instrumentos de coesão entre Portugal e a diáspora.

O reforço do ensino da língua portuguesa, a valorização das redes culturais e a ligação às novas gerações de lusodescendentes são apresentados como pilares essenciais para manter viva a identidade portuguesa no exterior.

O documento destaca ainda que as Comunidades Portuguesas desempenham um papel decisivo na internacionalização da economia nacional.

A moção defende maior envolvimento das redes empresariais da diáspora, estímulo ao investimento de emigrantes em Portugal, e criação de mecanismos de cooperação entre regiões portuguesas e comunidades no estrangeiro.

A visão é a de um país que “mobiliza o seu capital humano global para acelerar o desenvolvimento económico”.

No capítulo dedicado à soberania e às instituições, José Luís Carneiro reafirma que a política externa deve incluir as Comunidades como parte da estratégia nacional.

A diáspora é vista como um elemento essencial da identidade portuguesa, mas também como um instrumento de influência diplomática e de afirmação europeia e atlântica de Portugal.

A proposta de José Luís Carneiro ao Congresso do PS apresenta uma visão clara: “Portugal só é plenamente Portugal com as suas Comunidades”.

A moção coloca a diáspora no centro das políticas de modernização do partido e do país, defendendo mais participação, mais ligação institucional e maior valorização económica, cultural e política dos portugueses no estrangeiro.

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