José Antunes, fundador da Dyam Productions e figura central da promoção da música portuguesa na Diáspora, anunciou que deixará a empresa e as digressões no próximo dia 19 de setembro, após o concerto de Sara Correia, no Folies Bergères, em Paris. Aos 67 anos, o produtor artístico encerra quase quatro décadas de atividade, num percurso que começou em 1989 e que marcou de forma decisiva a presença da música portuguesa no estrangeiro.
Na mensagem que dirigiu ao público, artistas e parceiros, José Antunes descreve a Dyam como “um filho”, lembrando que a empresa nasceu quando ele próprio era “um jovem com a 4ª classe, vindo de uma aldeia perdida na Beira Baixa”.
Ao longo dos últimos meses, reencontrou pessoas de várias fases da sua vida profissional e diz ter sentido em todas as conversas “um carinho imenso”. A decisão de terminar as digressões em 2026 surge, afirma, “como o fecho natural de um ciclo”, embora sublinhe que continuará a acompanhar a Dyam com conselhos e experiência.
Fundada em 1989, a Dyam começou por editar os Irmãos 5, grupo que o próprio José Antunes integrava, e rapidamente tornou-se uma referência para as associações portuguesas espalhadas pela Europa. “Se esta aventura não tivesse existido, quem sabe onde estaria hoje?” assume.
A viragem histórica aconteceu a 16 de janeiro de 2000, quando a produtora se tornou a primeira empresa portuguesa a realizar um concerto no Olympia de Paris, com Tony Carreira, irmão de José Antunes. “Foi sem dúvida uma aposta ganha!” Sendo originário da Comunidade portuguesa, em Paris, o artista já era também um dos nomes mais falados em Portugal, garantindo ele próprio, à partida, o êxito do espetáculo. Com a bilheteira esgotada, a quinze dias do concerto, a Dyam entendeu que “a Comunidade procurava algo mais do que as tradicionais festas, realizadas nas salas das associações portuguesas”.
O sucesso deste concerto “fundador” abriu caminho a uma série de produções em salas como o Zénith, os Coliseus de Lisboa e Porto, o Pavilhão Atlântico, a Rockhal no Luxemburgo e palcos internacionais em Newark, Toronto, Bruxelas, Lyon ou Andorra.
A Dyam esteve também ligada ao lançamento de projetos como “Muita-Fixe” ou “Made in Portugal Show”, além de ter facilitado o acesso de muitos artistas portugueses a palcos internacionais onde nunca tinham atuado.
No seu texto de “despedida”, José Antunes agradece aos companheiros dos Irmãos 5, aos artistas e managements que confiaram na Dyam, aos presidentes das associações que o apoiaram desde o início, aos locutores das rádios portuguesas na Europa e às colaboradoras Karine e Alice. Dirige ainda um agradecimento especial ao público, que considera responsável pelo sucesso da empresa.
A Dyam continuará a sua atividade com uma nova equipa – que José Antunes só quer desvendar em setembro -, enquanto José Antunes se prepara para dedicar mais tempo à família, acompanhar o crescimento das netas, pedalar pelos caminhos de Portugal e essencialmente da sua Pampilhosa da Serra. Também diz que quer escrever as suas memórias, que imagina um dia ler às netas, “em frente à lareira, num dia de inverno”.
Até lá, convida o público a deixar mensagens no Livro de Honra disponível no site da empresa (pode aceder AQUI), onde promete responder pessoalmente.
O concerto de Sara Correia, em Paris, que já está quase esgotado, será assim mais do que um espetáculo: marcará o fim de uma era para um dos nomes mais influentes da produção musical portuguesa na diáspora.







