Morreu o artista plástico César de Carvalho


Faleceu ontem, dia 12 de abril, em Portugal o artista plástico César de Carvalho, figura discreta, mas profundamente respeitada no meio artístico luso‑francês, onde viveu e trabalhou durante várias décadas. A notícia do seu falecimento, dada esta manhã pelos filhos Julien e Guillaume de Carvalho, foi recebida com pesar entre amigos, antigos colegas e membros da Comunidade cultural portuguesa em França, que recordam “um criador de grande rigor estético e de rara generosidade humana”.

César Licínio da Silva Carvalho nasceu no dia 1 de dezembro de 1947 e veio para França ainda jovem, integrando‑se rapidamente no ambiente artístico parisiense, onde encontrou espaço para desenvolver uma obra marcada pela experimentação e pela atenção ao detalhe. Ao longo dos anos, expôs em galerias independentes, participou em coletivas de artistas da diáspora e colaborou com instituições culturais que reconheceram na sua obra uma voz singular, situada entre a memória portuguesa e a vivência cosmopolita que Paris lhe proporcionou.

A sua produção – que atravessou a pintura, o desenho e, em certos períodos, a escultura, a instalação e a literatura – refletia uma constante procura de equilíbrio entre forma e silêncio, cor e matéria. Muitos dos que o acompanharam sublinham que César de Carvalho trabalhava longe das lógicas de mercado, fiel a uma ética artística que privilegiava o processo, a pesquisa e a honestidade do gesto criativo.

César de Carvalho foi colaborador ativo do Festival de Teatro Português em França, organizado pela Coordenação das Coletividades Portuguesas de França (CCPF) e também concebeu cenografia para teatro. Concebeu, por exemplo, o cenário da peça “Lobo/Loup” de Abel Neves, encenada por Carlos Pereira e que circulou em França, Portugal e Suíça.

Apesar de ter regressado a Portugal nos últimos anos, manteve laços estreitos com a Comunidade artística francesa, continuando a expor e a participar em projetos transnacionais. O regresso ao país natal foi, segundo amigos próximos, uma escolha de serenidade, motivada pelo desejo de reencontrar paisagens e ritmos que marcaram a sua juventude.

O funeral de César de Carvalho vai ter lugar esta terça-feira, dia 14 de abril, às 16h00, na Capela Mortuária do Tanatório de Paranhos, onde já se encontra em câmara ardente.

Com a sua morte, desaparece um artista cuja obra permanece ainda insuficientemente conhecida do grande público. Ficam as obras, dispersas entre coleções privadas e pequenos espaços expositivos, e fica sobretudo a memória de um criador íntegro, que fez da arte um território de exigência e de liberdade.

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