
A Fundação Calouste Gulbenkian – Delegação de Paris, recebe no dia 27 de maio, às 18h30, no Forum da Fondation Maison des Sciences de l’Homme, o politólogo e ensaísta Álvaro Vasconcelos para a apresentação do terceiro volume da sua trilogia “Memórias em Tempo de Amnésia: O futuro para além do apocalipse”. O autor estará em diálogo com Liliana Henriques e Maria-Benedita Basto, num encontro integrado no ciclo das Rencontres da Biblioteca Gulbenkian.
A obra, publicada pelas Edições Afrontamento, prolonga a reflexão que Álvaro Vasconcelos tem desenvolvido sobre a memória, a democracia e os riscos que ameaçam o pensamento crítico no século XXI. Neste novo volume, o autor interroga-se sobre a possibilidade de a humanidade deixar de pensar, anestesiada pela banalidade do mal, manipulada por algoritmos e por uma oligarquia tecno-financeira que molda o mundo segundo lógicas de brutalismo. A pergunta central – “qual é o verdadeiro risco que enfrentamos?” – atravessa o livro e serve de ponto de partida para um itinerário que é simultaneamente político, histórico e profundamente pessoal.
O ensaio conduz o leitor por um percurso que começa na Revolução dos Cravos e se estende por várias geografias que marcaram a vida e o pensamento do autor: Lisboa, Paris, Moscovo, Jerusalém, Nova Iorque, Rio de Janeiro, Cairo, Pequim e, finalmente, Beira, em Moçambique. É um regresso às memórias que moldaram a construção da liberdade em Portugal, mas também um alerta contra o esquecimento – o esquecimento do fascismo, da violência colonial, da destruição de Hiroshima e de tantas outras catástrofes que, se não forem lembradas, podem repetir-se.
O livro é igualmente um tributo às palavras e às vozes que, vindas de diferentes línguas e continentes, iluminaram momentos decisivos da história contemporânea. Entre elas, destaca-se a célebre intervenção de Mikhail Gorbatchov num balcão de Lisboa, evocada por Álvaro Vasconcelos como símbolo de uma esperança possível num mundo à beira do colapso. O cinema ocupa também um lugar central na obra, não como simples referência cultural, mas como ferramenta de pensamento e de humanização – uma forma de compreender o outro e de refletir sobre o que nos une.
A sessão de Paris promete, assim, ser mais do que uma apresentação literária: será um espaço de diálogo sobre memória, democracia, futuro e responsabilidade coletiva. A Biblioteca Gulbenkian convida o público a reservar lugar antecipadamente e a participar nesta conversa que cruza história, política e imaginação crítica, num momento em que a Europa e o mundo enfrentam novos desafios à liberdade e ao pensamento.






