Quase 50 anos depois, a artista francesa ORLAN regressa a Portugal para revisitar uma performance que apresentou no país em 1977. A criadora vai reinterpretar “Se vendre sur les marchés en petits morceaux” este sábado, 17 de outubro, às 14h30, em Vila Nova de Cerveira, no âmbito da XXIV Bienal Internacional de Arte de Cerveira.
A iniciativa terá lugar no Largo da Feira e recupera uma ação apresentada pela artista francesa durante os IV Encontros Internacionais de Arte, nas Caldas da Rainha. Em 1977, num Portugal que vivia ainda os primeiros anos após o 25 de Abril, ORLAN utilizou esta performance para questionar as convenções em torno do corpo, da representação e da mercantilização da arte.
Quase meio século depois, a artista regressa assim ao país para reinterpretar essa mesma criação e estabelecer uma ligação entre aquele momento do seu percurso e o presente.
Conhecida pelo trabalho desenvolvido em torno do corpo e da identidade, ORLAN construiu uma carreira internacional marcada pela utilização de diferentes formas de expressão artística. A artista francesa tornou o próprio corpo num dos principais elementos da sua obra, questionando ao longo das décadas os padrões sociais e culturais ligados à aparência e à representação.

Uma conversa com ORLAN depois da performance
Após a performance em Vila Nova de Cerveira, o público terá também a oportunidade de participar numa conversa com a artista. O encontro está marcado para as 16h00, no Museu Bienal de Cerveira, e contará com tradução para português.
Durante cerca de uma hora, ORLAN vai revisitar o seu percurso artístico e recordar a sua passagem por Portugal no período que se seguiu à Revolução de 25 de Abril de 1974.
A presença da artista francesa estende-se ainda às exposições da XXIV Bienal Internacional de Arte de Cerveira. Os visitantes podem ver a sua obra “S’habiller de sa propre nudité”, integrada na Coleção Galeria Alvarez.
A performance e a conversa com ORLAN fazem parte do “Dia Aberto no Museu”, durante o qual a entrada nas atividades e exposições é gratuita. O regresso a Portugal permite, quase cinco décadas depois, recuperar um capítulo da relação da artista francesa com o país e revisitar uma criação apresentada pela primeira vez em 1977.







