Petição pede a reposição das aulas de português nas escolas primárias de Marseille e arredores


A associação Passerelles Lusophones lançou uma petição para pedir a reposição das aulas de português nas escolas primárias de Marseille e das localidades vizinhas no próximo ano letivo. Num comunicado divulgado ontem, a associação informa que a iniciativa já ultrapassou as 80 assinaturas e estabelece um primeiro objetivo de 300.

Segundo a Passerelles Lusophones, estas escolas deixaram de contar com esta oferta de ensino no ano letivo 2026/2027. A associação pretende mobilizar as famílias e a comunidade para que as crianças portuguesas e lusodescendentes da região possam voltar a aprender português desde o ensino primário, mantendo uma ligação à língua e à cultura portuguesas.

“Estamos a falar de Marseille, a segunda maior cidade de França, e de uma região onde vivem muitas famílias ligadas a Portugal”, sublinha a associação no comunicado. O apelo dirige-se às famílias, à Comunidade portuguesa e lusófona, às associações e a todas as pessoas sensibilizadas para a transmissão da língua portuguesa.

Paula Alexandra Barbosa Costa Gomes, professora de português que lecionou na região desde 2006, partilhou o seu testemunho com o LusoJornal. Segundo a docente, o número de inscritos variou ao longo dos anos, mas o curso manteve-se, com horários que chegaram a oscilar entre 8 e 23 horas semanais. Além do departamento de Bouches-du-Rhône, as aulas também decorreram no departamento de Alpes-de-Haute-Provence.

A professora recorda que a procura diminuiu durante a pandemia de Covid-19, obrigando a uma reorganização dos grupos e das turmas, mas salienta que “sempre houve inscrições”.

A sua comissão de serviço terminou em agosto de 2025, quando tinha um horário de 16 horas semanais. Voltou a concorrer em novembro e, segundo explica, foi colocada em contrato local até agosto de 2026, com um horário de 22 horas por semana. Por isso, considera que seria possível assegurar a continuidade das aulas com uma carga horária inferior. “Logo, a meu ver, o curso de Português poderia manter-se, mesmo com uma redução de horário”, afirma Paula Alexandra Barbosa Costa Gomes.

Em resposta à associação, Isabel Sebastião, Coordenadora do Ensino Português em França, do Camões, I.P., explicou que a decisão de não abrir o horário de Marseille neste ano letivo está relacionada com o número de pedidos de cursos apresentados pela Inspeção Académica.

“No presente ano letivo, este horário não será aberto, uma vez que a Inspeção Académica não apresentou um número suficiente de pedidos de cursos que permitisse à Coordenação elaborar um horário completo, correspondente a 22 horas letivas”, indicou.

A Coordenadora esclareceu ainda que, no ano letivo 2025/2026, as aulas em Marseille começaram mais tarde devido à falta de candidatos ao concurso de professores, cujo processo teve início a 17 de setembro de 2025.

Na mesma resposta, Isabel Sebastião explicou que o ensino do português em França integra um dispositivo da responsabilidade do Ministério da Educação francês. Para a inscrição no EILE, Ensino Internacional de Línguas Estrangeiras, os Diretores das escolas entregam aos encarregados de educação, entre fevereiro e maio, um formulário que deve ser preenchido e devolvido à Direção da escola do aluno.

Caso esse documento não seja disponibilizado durante o período de inscrição, os encarregados de educação devem solicitá-lo diretamente ao diretor da escola ou à Inspeção Académica competente, acrescentou a coordenadora.

A Passerelles Lusophones é uma associação do sul de França, na área consular de Marseille, dedicada à língua, à cultura e à solidariedade junto da Comunidade portuguesa e lusófona. Com esta iniciativa, procura reunir apoio para o restabelecimento das aulas no próximo ano letivo e apela à assinatura e à partilha da petição.

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

Não perca