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O Evangelho do próximo domingo, dia 5, propõe-nos uma oração («Eu Te bendigo, ó Pai…»), uma declaração («Tudo me foi dado por meu Pai…») e um convite («Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos…»). Ao escutar o último trecho (a convocação de Jesus) é difícil não recordar o famoso soneto de Emma Lazarus, “The New Colossus”, cujos versos foram gravados em 1903, numa laje de bronze, no interior da Estátua da Liberdade, como que a sugerir que ela mesma os declamasse, ao saudar os milhões de emigrantes que desembarcavam, naqueles anos, nos portos do estado de Nova Iorque: Give me your tired, your poor, / Your huddled masses yearning to breathe free, (Dai-me os vossos cansados, os vossos pobres, / As vossas multidões que anseiam por um ar de liberdade).

É bem possível que o Evangelho tenha inspirado estes versos; no fundo, ambos os textos evocam o mesmo desejo de liberdade. No caso de Jesus, o cansaço e a opressão de que Ele promete libertar-nos são o fruto de uma interpretação idolátrica da Lei: muitos crentes, incapazes de respeitar diariamente os 613 mandamentos da Lei judaica, sentiam-se indignos e condenados. A Lei aprisionava, em lugar de libertar e afastava os homens de Deus, em lugar de os conduzir à Salvação. Jesus anuncia que veio libertar o Homem da escravidão da Lei!

Mas hoje, os pobres e os marginalizados continuam a encontrar nas nossas comunidades essa promessa de liberdade e emancipação? Ou será que perdemos de vista a novidade cristã e caímos de novo no erro de absolutizar a Lei? Vemos o Evangelho como um jugo pesado ou como uma alegre libertação? As respostas que dermos serão o “termómetro” da nossa fé…

 

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